Em entrevista ao Francamente, publicitário, empresário e escritor falou sobre criação, inteligência artificial, educação, projetos coletivos e o desafio de transformar ideias em realidade.
Em um tempo em que quase tudo parece virar conteúdo, Rodrigo Malagoli insiste em uma diferença importante: comunicar não é apenas publicar. É entender uma ideia, uma marca, uma cidade, um público, uma história — e só então encontrar a melhor forma de colocar tudo isso no mundo.
Publicitário, empresário, comunicador e escritor, Rodrigo esteve no Francamente, em conversa com Tainan Franco, para falar sobre comunicação, tecnologia, inteligência artificial, educação e literatura. À frente do Grupo Novo Dia, que reúne marcas como Novo Dia Notícias, Jornal da Cidade e Jundiaí Notícias, além de atuar em projetos audiovisuais, mídia digital, inovação e produção de conteúdo, ele representa bem uma geração de profissionais que aprendeu a circular entre muitas plataformas ao mesmo tempo.

Mas a entrevista não se limita a apresentar essas frentes. O que costura a conversa é uma inquietação mais profunda: como transformar ideias em projetos concretos sem perder identidade no caminho?
No campo da comunicação, Rodrigo parte de uma crítica direta ao automatismo do mercado. Redes sociais, inteligência artificial, impulsionamento e produção digital são ferramentas importantes, mas não substituem estratégia. Para ele, parte da publicidade regional passou a confundir presença digital com pensamento de marca:
“Post na internet não é publicidade, não é marketing, é uma ferramenta.”
A frase ajuda a resumir um dos pontos centrais da conversa. Em um cenário em que empresas correm para publicar mais, responder mais rápido e acompanhar tendências, Rodrigo chama atenção para algo anterior ao post: o entendimento do que se quer comunicar. Sem isso, a tecnologia acelera, mas não aprofunda.
Comunicação em tempos de inteligência artificial
A inteligência artificial aparece na entrevista sem encantamento fácil e sem rejeição automática. Rodrigo reconhece o potencial das ferramentas, inclusive para auxiliar processos criativos, organizar ideias e ampliar possibilidades. Ao mesmo tempo, lembra que a IA não resolve o problema principal de quem comunica: ter algo próprio a dizer.
Em um mercado cada vez mais tomado por imagens parecidas, textos parecidos e fórmulas repetidas, a pergunta que fica é simples: se todos usam as mesmas ferramentas do mesmo jeito, o que ainda diferencia uma marca, uma empresa ou um projeto?
Por isso, a conversa também valoriza a presença fora das telas. Painéis, jornais, ações presenciais, eventos e circulação pela cidade continuam fazendo parte da construção de uma marca. Em mercados locais como Jundiaí e região, reputação não nasce apenas no feed: nasce também no reconhecimento cotidiano, nos trajetos, nos encontros e na memória das pessoas.
Futuro, educação e repertório
Outra frente importante da trajetória de Rodrigo está ligada à inovação e à educação. Cofundador do Grape Valley e vice-presidente da Associação de Tecnologia e Inovação de Jundiaí, ele também atua em projetos que aproximam estudantes da rede pública de temas como futurismo, criatividade e novas possibilidades profissionais.
A preocupação do projeto é abrir repertório: muitos jovens crescem sem contato com certos caminhos profissionais, sem referências sobre inovação, sem acesso a debates sobre futuro do trabalho, inteligência artificial, empreendedorismo ou criação. Levar esses temas para a escola pública é também disputar perspectiva.
Nesse ponto, a entrevista toca em uma questão maior: tecnologia só faz sentido quando vem acompanhada de pensamento crítico, acesso e formação humana. Caso contrário, ela pode ampliar desigualdades em vez de reduzir distâncias.
A literatura como mundo possível
Na parte final da conversa, Rodrigo apresenta outra dimensão de sua trajetória: a escrita. O Legado de Itzamná, primeiro livro de uma trilogia ligada ao universo de Crônicas Solária, nasce de uma mistura de ficção científica, viagem espacial, base de Alcântara, civilizações pré-colombianas, mitologias latino-americanas e imaginação futurista.

A ideia surgiu anos atrás, ficou guardada e voltou com força até ganhar forma de livro. Depois de tanto tempo criando para empresas, campanhas, plataformas e projetos de outras pessoas, a literatura aparece como um espaço para dar vazão a mundos próprios.
Mesmo nesse processo, a inteligência artificial aparece como ferramenta — útil para testes, referências e organização —, mas não como substituta da criação. Rodrigo comenta os limites de tentar delegar a escrita à tecnologia e reforça que estrutura, intenção, revisão, voz e responsabilidade continuam sendo humanas:
“Quem pensa em escrever com GPT, esquece. Não tem como. Não se sustenta.”
Ideias que viram projetos
A entrevista também revela um traço pessoal importante: a disposição de dizer sim para projetos que fazem sentido, mesmo quando não cabem perfeitamente em uma única agenda ou profissão. Comunicação, jornalismo, inovação, documentários sociais, educação, mídia, literatura e projetos coletivos aparecem como partes de uma mesma busca.
Essa postura ganhou outro peso depois do diagnóstico de esclerose múltipla, recebido em 2014. Sem transformar a experiência em discurso de superação fácil, Rodrigo fala desse momento como uma mudança na relação com o tempo: a percepção de que algumas ideias precisam deixar de ficar guardadas para finalmente ganhar forma.

Ao final, Rodrigo Malagoli surge menos como alguém dividido entre muitas áreas e mais como alguém movido por uma mesma pergunta em todas elas: como tirar uma ideia da cabeça e fazê-la circular no mundo?
No Francamente, essa pergunta atravessa comunicação, tecnologia, educação e literatura. E talvez ajude a explicar por que, em sua trajetória, criar não é apenas imaginar. É insistir até que alguma coisa exista.
Assista à entrevista completa com Rodrigo Malagoli no Francamente, curta, comente e siga o programa para acompanhar outras conversas sobre comunicação, cultura, tecnologia e vida pública:
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