IARAH: a jovem voz do rock que aprendeu a cantar a própria história

Em conversa no Francamente, artista fala sobre infância no palco, amadurecimento vocal, oportunidades internacionais e a nova fase autoral em português.

Antes de transformar suas próprias histórias em música, Iarah aprendeu a habitar o palco por muitos caminhos. Foi criança fã de Kiss, aluna de teatro musical, voz em formação na School of Rock, finalista de programa de TV, além de artista selecionada para uma oportunidade ligada a um dos maiores programas de talentos dos Estados Unidos. No Francamente, em conversa com Tainan Franco, ela revisita essas histórias com humor, sinceridade e uma maturidade que não apaga a leveza de quem ainda está construindo a própria trajetória.

Da “Iarinha Kiss” à School of Rock

A relação de Iarah com o rock começou ainda na infância. Aos quatro anos, ela já era fã de Kiss, frequentava a 89 Rádio Rock e chegou a ganhar o apelido de “Iarinha Kiss”. Na entrevista, ela conta histórias que parecem roteiro de filme: vinheta gravada na rádio, ida ao show da banda ainda criança e até aniversário infantil com banda cover de Kiss.

Iarinha – fonte: Yotube (https://youtu.be/bozjVQSuBO8)

Antes de assumir a música como caminho principal, ela passou pela publicidade, pelo teatro e pelo teatro musical. Essas experiências ajudaram a construir presença de palco, projeção vocal e familiaridade com a performance.

Em 2019, entrou na School of Rock, inicialmente por causa de uma montagem do musical School of Rock. A ideia era aprender baixo para um teste, mas a escola acabou se tornando decisiva em sua trajetória musical. Foi ali que ela se descobriu melhor como cantora, percebeu a força dos graves de sua voz e precisou reaprender o equilíbrio entre potência, técnica e cuidado vocal.

Técnica, palco e televisão

A entrevista mostra uma artista jovem, mas muito consciente de que cantar exige trabalho. Iarah fala sobre estudo vocal, respiração, belting, extensão, graves, agudos e o cuidado necessário para não transformar potência em excesso de peso na voz.

Esse amadurecimento também passou pela televisão. Depois de tentar diferentes programas musicais, ela chegou ao Canta Comigo Teen, onde levantou os 100 jurados em uma das apresentações e chegou à final. A experiência não terminou com a vitória, mas abriu portas, rendeu entrevistas e novas oportunidades.

No programa, Iarah também se aproximou de nomes ligados ao rock e ao metal, como Bruno Sutter, citado com carinho na conversa — e no episódio contado a seguir.

A viagem que quase foi

Selecionada para o AllStars, programa da School of Rock que reúne alunos de destaque para apresentações nos Estados Unidos, Iarah mobilizou uma campanha para conseguir viajar. Fez vaquinha, movimentou as redes, pediu apoio e conseguiu reunir o valor necessário praticamente na semana da viagem, com apoios que incluíram até uma contribuição de Bruno Sutter.

Ela embarcou com a mãe, fez escala no Panamá e estava a caminho dos Estados Unidos quando a viagem precisou ser interrompida antes de chegar ao destino. Na entrevista, Iarah conta que o episódio envolveu uma denúncia anônima sobre supostas inconsistências no visto — informação que foi posteriormente desmentida na embaixada, mas que naquele momento foi suficiente para impedir o embarque. A situação também se cruzava com outra oportunidade internacional: a aprovação para o America’s Got Talent.

A história, contada no Francamente entre frustração e bom humor, ficou como um dos grandes perrengues de uma trajetória ainda jovem, mas já cheia de tentativas, portas abertas e recomeços.

Do metal em inglês ao pop rock em português

Durante muito tempo, Iarah imaginou sua carreira autoral ligada ao metal em inglês. Ela chegou a lançar duas músicas nesse estilo, mas uma conversa com o produtor Thiago Bianchi abriu outro caminho.

Depois de ouvi-la em um contexto da School of Rock, Thiago propôs produzir um álbum e sugeriu uma mudança: em vez de seguir pelo metal em inglês, buscar um caminho mais próximo do pop rock em português.

Capa de “Não me Olhe assim”, single no Spotify. Fonte: https://open.spotify.com/intl-pt/album/45irmK7pysqP5tnNLBmaYh

No começo, Iarah resistiu à ideia. O inglês parecia mais próximo das referências que ela consumia e também oferecia certa proteção emocional. Escrever em português, como ela reconhece na entrevista, expõe mais. A língua materna deixa tudo mais direto.

A transição exigiu tempo. Ela estudou composição, passou pelo Midas Academy, escola de Rick Bonadio, trabalhou melodias, letras e estruturas musicais, até começar a encontrar uma forma mais própria de escrever.

Cantar em primeira pessoa

A fase atual de Iarah parece ser menos sobre escolher um rótulo e mais sobre construir uma linguagem. Rock, metal, teatro musical, pop rock e televisão fazem parte de sua formação, mas agora aparecem filtrados por uma busca autoral.

Na entrevista, ela fala sobre músicas já lançadas, como “Judas”, “Ignorância” e “Não me Olha Assim”, além do próximo lançamento, “Ao Menos Uma Vez”. A nova faixa, segundo ela, fala sobre luto e integra uma sequência de lançamentos que deve formar um álbum.

O mais interessante é acompanhar esse momento de passagem: Iarah deixa de ser apenas a jovem intérprete de grandes referências para se afirmar como artista que escreve, escolhe, testa caminhos e aprende a cantar a própria história.

Assista à entrevista no Youtube:

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