Tag: música autoral

  • Fernando Deluqui revisita a história do RPM e fala sobre a nova fase com RPM – O Legado

    Fernando Deluqui revisita a história do RPM e fala sobre a nova fase com RPM – O Legado

    Guitarrista fundador de uma das maiores bandas do rock brasileiro passou pelo Francamente para falar sobre memória, estrada, bastidores e o desafio de manter vivo um repertório que atravessou gerações.

    Há artistas que não aparecem apenas nos discos: aparecem na memória afetiva de uma geração inteira. Fernando Deluqui é um desses nomes. Guitarrista fundador do RPM, ele ajudou a construir uma das sonoridades mais marcantes do rock brasileiro dos anos 1980, em uma época em que guitarras, sintetizadores, danceterias, programas de televisão e gravadoras faziam do rock nacional um fenômeno de massa.

    Fernando Deluqui – fonte: Facebook do artista

    No Francamente, em conversa com Tainan Franco, Deluqui revisitou esse caminho sem tratar o passado como “peça de museu”. A entrevista atravessa as origens musicais, a explosão do RPM, os bastidores de uma carreira marcada por sucessos gigantescos, pausas, retornos, tensões internas e, agora, uma nova fase: RPM – O Legado, projeto que mantém Deluqui à frente de um repertório que segue mobilizando públicos pelo país.

    Deluqui relembra, na entrevista, a infância em São Paulo, a relação com o som que vinha dos discos do pai, as primeiras experiências com bateria, violão e guitarra, além da paixão por artistas que ajudaram a formar sua escuta. Rock progressivo, surf music, trilhas de cinema, Beatles, Pink Floyd, Genesis, Deep Purple, Jimi Hendrix, Caetano Veloso e Raul Seixas aparecem como parte de um repertório amplo, anterior às divisões rígidas que muitas vezes tentam organizar a música em gavetas. Essa formação ajuda a entender a própria abertura estética que apareceria depois no RPM. Como Deluqui resume na conversa:

    “A década de 70, especificamente, foi uma década que misturou muita coisa. Porque tinha o rock progressivo, o punk, o pop, a new wave. O RPM tinha isso.”

    Essa mistura ajuda a entender por que a banda que surgiria nos anos 1980 nunca foi apenas uma banda de “rock de rádio”. Outro detalhe lembrado por Deluqui ilumina essa formação: ele, Luiz Schiavon e Paulo Ricardo estiveram no histórico show do Genesis no Ibirapuera, em 1977, ainda sem se conhecer. Anos depois, algo daquela experiência de escala, luz e impacto visual reapareceria no palco do RPM.

    O estouro do RPM

    Formado em São Paulo, o RPM entrou para a história como um dos maiores fenômenos comerciais do rock nacional. O primeiro álbum, Revoluções por Minuto, lançado em 1985, abriu caminho para uma sequência de sucessos que marcaria definitivamente a década. Mas foi com Rádio Pirata ao Vivo, de 1986, que a banda alcançou uma dimensão rara: o disco ultrapassou a casa dos milhões de cópias vendidas e se tornou um dos álbuns mais lembrados da indústria fonográfica brasileira.

    Na conversa, Deluqui fala desse período como um turbilhão. O RPM saiu das danceterias e casas noturnas para palcos cada vez maiores, atravessando rádio, televisão, revistas, festivais e grandes turnês. Em pouco tempo, a banda passou de promessa da cena paulistana a símbolo de uma juventude urbana que via no rock nacional uma nova linguagem.

    Mas o sucesso veio rápido demais. Deluqui reconhece que a explosão comercial, a exposição intensa e as expectativas do mercado criaram uma pressão difícil de administrar. A banda, segundo ele, talvez não estivesse preparada para o tamanho do fenômeno que se formou ao seu redor:

    “Aí começa uma saída de controle do RPM. Tudo bem, foi legal, Rádio Pirata; contra o sucesso não tem contraindicação. Mas aquilo começou um tamanho de sucesso que talvez fosse bom a gente ter freado e falado: ‘não, vamos fazer uma carreira longa, sem tantos sobressaltos’.”

    O que parecia apenas ascensão também trazia desgaste, disputa de espaço, mercado e decisões tomadas no calor de uma velocidade que ninguém conseguia prever. Como ele resume em outro momento da entrevista:

    “Mas a gente não estava preparado. É fácil falar agora, mas na hora você está naquele turbilhão, você não vê.”

    Entre pausas, retornos e caminhos próprios

    Depois da primeira grande fase do RPM, Deluqui seguiu por muitos caminhos. Gravou projetos próprios e também integrou uma fase dos Engenheiros do Hawaii, em um momento de transição da própria banda gaúcha. Na entrevista, ele relembra essa experiência como um período musicalmente forte, no qual criou laços com Humberto Gessinger e Carlos Maltz: participou de um álbum que considera relevante em sua carreira (o Simples de Coração, 1995), além de ter gravado novamente com Humberto em outro momento.

    Ao mesmo tempo, a passagem pelos Engenheiros também reforçou uma inquietação que já vinha de antes. Deluqui queria abrir mais espaço para suas próprias composições, registrar ideias e organizar uma produção autoral que, muitas vezes, ficava guardada enquanto ele atravessava bandas, projetos e retomadas. Em uma banda marcada pela escrita de Humberto, percebeu que, apesar da admiração e da boa experiência musical, precisava respirar e colocar seu próprio trabalho para fora.

    Esse movimento atravessa a entrevista inteira: Deluqui aparece como um artista em reencontro com a própria obra, alguém que não quer ser lembrado apenas como guitarrista de uma marca histórica, mas também como compositor, produtor e músico interessado em documentar, lançar e dar continuidade ao que construiu ao longo dos anos.

    Nesse processo, ele destaca também a parceria com Virgínia Carvalho Deluqui, sua esposa, que passou a ter papel importante na organização de sua carreira e documentação de seus projetos. Se nos anos 1980 havia gravadora, rádio, televisão e uma engrenagem industrial sustentando o movimento, hoje o trabalho exige outra lógica: produção própria, redes, estúdio, selo, equipe, memória e presença constante.

    RPM – O Legado

    É nesse contexto que surge a fase atual RPM – O Legado. O projeto nasce após as disputas em torno do uso do nome RPM e se apresenta como continuidade, homenagem e nova etapa de uma história que Deluqui ajudou a construir desde o início.

    “Quando eu tava lá com o RPM tinha gravadora. A gente era uns porra-louca: ‘vai pra estrada, se joga e toca o rock & roll, e a gente se vira aqui.’ Hoje em dia não é mais assim.”

    A frase marca bem a diferença entre dois tempos. Se nos anos 1980 a banda era impulsionada por gravadora – rádio, televisão e uma indústria fonográfica em expansão – hoje a continuidade do repertório exige outro tipo de construção: mais autônoma, mais documentada e mais organizada.

    “A gente tem uma estrutura grande. Eu costumo dizer que a gente tá com um tabuleiro com muitas pedras boas: nós temos a banda, temos a equipe, temos o nosso estúdio, temos o nosso selo, temos o nosso empresário.”

    RPM – O Legado

    Ao lado de Kiko Zara, Fábio Pelissioni e Tato Andreatta, Deluqui leva ao palco clássicos do RPM, lados B, novas versões e músicas inéditas. O passado segue presente, mas não como repetição: RPM – O Legado aparece como trabalho de continuidade, no qual memória, estrada e novas canções se encontram para manter a história em movimento.

    Um legado em disputa com o tempo

    Falar de RPM é falar de memória, mas também de futuro. O repertório que marcou uma geração continua vivo porque ainda encontra novos ouvintes, novas formações e novos palcos. Ao mesmo tempo, essa permanência exige escolhas: como revisitar uma obra sem congelá-la? Como respeitar uma história sem transformar o show em nostalgia pura? Como seguir criando depois de ter participado de um dos maiores fenômenos do rock brasileiro?

    Fernando Deluqui parece responder a essas perguntas com estrada. Em vez de encerrar a história no passado, ele continua tocando, compondo, organizando arquivos, gravando novas músicas e levando o repertório para o palco. A guitarra que ajudou a dar identidade ao RPM segue como fio condutor de uma trajetória que atravessou danceterias, grandes arenas, estúdios, crises, recomeços e novas formações.

    Ao final da conversa, o que fica é a imagem de um artista que não trata sua própria história como arquivo fechado. Deluqui revisita o RPM, os bastidores, os erros e os reencontros com a consciência de quem sabe o peso do passado, mas também com a disposição de seguir colocando a guitarra na estrada.

    Assista à entrevista completa no Francamente e aproveite para curtir, comentar e seguir o programa, fortalecendo as vozes e histórias que passam por essa mesa:

    E, se a conversa despertou vontade de ouvir mais, visite também o canal oficial de RPM – O Legado no YouTube. Por lá, é possível acompanhar essa nova etapa da trajetória de Fernando Deluqui, conhecer a formação atual, ouvir os materiais da banda e seguir de perto os próximos movimentos do projeto:

    Siga pelo Portal MOV8 para conhecer outras histórias, conversas e ideias que movimentam a cultura.

  • MOV8 Play reúne documentários, shows e programas da MOV8 Produções

    MOV8 Play reúne documentários, shows e programas da MOV8 Produções

    Plataforma organiza conteúdos ligados à cultura, à memória regional, à música brasileira e à produção audiovisual independente, com acesso gratuito pelo site.

    A MOV8 Produções acaba de reunir parte de sua trajetória audiovisual em um novo espaço digital: o MOV8 Play. Disponível no site da produtora, a plataforma reúne documentários, shows, entrevistas, programas e registros de projetos culturais produzidos, dirigidos, geridos, distribuídos ou realizados em diferentes momentos da história da MOV8 e de sua idealizadora, Tainan Franco.

    A plataforma funciona como um acervo audiovisual em movimento. A proposta é facilitar o acesso do público a conteúdos que antes estavam dispersos em diferentes canais, páginas e fases de produção, criando uma navegação mais organizada para quem deseja conhecer ou revisitar programas, documentários, shows e projetos culturais.

    Com acesso gratuito pelo site da MOV8, a plataforma combina curadoria própria, organização visual e integração com o YouTube. Assim, o público pode assistir aos conteúdos de forma simples, em diferentes dispositivos, como computador, tablet e celular, sem necessidade de aplicativo, cadastro ou assinatura.

    “O MOV8 Play nasce para dar nova circulação a produções que contam parte da nossa história e também da história cultural da região. São conteúdos que passaram por diferentes formatos e projetos, mas que agora podem ser vistos juntos”, afirma Tainan Franco, fundadora da MOV8.

    Uma trajetória que passa pela televisão regional, pela web TV e pelos projetos culturais

    O acervo do MOV8 Play reúne produções próprias e conteúdos ligados de diferentes formas à trajetória da MOV8 — da direção e do roteiro à produção executiva, gestão de projetos, captação, distribuição e circulação audiovisual.

    Parte importante desse percurso tem relação com a antiga Rede Paulista de Televisão, emissora regional que foi afiliada à TV Cultura e à TV Brasil em Jundiaí e marcou uma fase significativa da produção audiovisual local. Foi nesse ambiente que Tainan Franco atuou por anos no departamento de projetos, participando da realização de documentários, curtas, programas de TV e conteúdos voltados à memória, à cultura e à identidade da região.

    A presença desse material também vai além da história da produtora: é uma forma de preservar e recolocar em circulação o trabalho de artistas, produtores, roteiristas, apresentadores, diretores, equipes técnicas e profissionais que fizeram parte dessas realizações.

    Entre os conteúdos ligados a esse período estão documentários como Caminho dos Bandeirantes e Imigrantes, que integram o acervo e aparecem entre os materiais de maior interesse do público.

    Também estão disponíveis programas do Canal 8, web TV criada pela MOV8, em parceria de Tainan Franco com Renato Janczur Klovrza, e voltada à produção de programas e conteúdos independentes. Ativa entre 2014 e 2016, a iniciativa surgiu em um momento em que a ideia de uma programação audiovisual feita para a internet ainda precisava ser explicada a anunciantes, parceiros e público.

    Hoje, quando podcasts, produtoras, marcas e plataformas investem cada vez mais em programas próprios e distribuição digital, o Canal 8 pode ser visto como uma experiência pioneira dentro da realidade regional em que foi criado. Agora, parte dessa produção retorna como integrante do acervo do MOV8 Play. Entre os programas em destaque está o Culturando, programa de entrevistas sobre a cena cultural da região.

    Música MOV: shows, entrevistas e alcance nacional

    Entre os destaques do MOV8 Play está o Festival Música MOV, que reuniu shows e entrevistas com 16 artistas de diferentes gerações, cenas e linguagens da música brasileira.

    A programação passou pelo rap, trap, pop, rock, música instrumental, MPB, soul, R&B e novas cenas independentes. Entre os artistas participantes estão Helião, Yung Buda, Érika Martins, Arismar do Espírito Santo, Fernanda Porto, Roberta Campos, Nila Branco, Felipe Flip, Katú Mirim, GAVI, Renan Cavolik e nomes da cena regional.

    Os conteúdos foram disponibilizados no YouTube e também passaram a integrar o catálogo da Music Box Brazil, com distribuição em plataformas como o Prime Video. Os números ajudam a dimensionar o alcance da iniciativa: o Festival Música MOV já soma mais de 500 mil visualizações no YouTube. Somando YouTube e distribuição pela Music Box Brazil, o projeto ultrapassa a marca de 1 milhão de visualizações em suas diferentes janelas de exibição.

    Programa Francamente e outros projetos

    O MOV8 Play também reúne conteúdos ligados ao Programa Francamente, apresentado por Tainan Franco, que em seu oitavo ano de existência já se consolidou como espaço de entrevistas com artistas, bandas, produtores, agentes culturais e personagens da cena independente.

    O acervo também inclui documentários, programas, projetos executados por meio de leis de fomento, conteúdos realizados em parceria e produções distribuídas pela MOV8. Em alguns casos, a atuação da produtora está na realização direta. Em outros, passa pela produção executiva, gestão, captação, distribuição ou apoio à circulação.

    Essa diversidade é parte da proposta do MOV8 Play: reunir conteúdos que ajudam a contar uma história audiovisual construída em múltiplas frentes.

    Acervo, memória e circulação

    Ao organizar produções de diferentes fases em um único ambiente digital, o MOV8 Play reforça uma das marcas da atuação da MOV8: pensar o audiovisual como forma de ampliar o alcance dos projetos culturais, formar memória e alcançar novas audiências.

    Com isso, o MOV8 Play transforma registros, entrevistas, shows e documentários em um acervo vivo, aberto ao público e disponível para novas formas de circulação.

    A plataforma pode ser acessada gratuitamente pelo site da MOV8:
    mov8.com.br/play/

  • Itamar Assumpção segue vivo no palco de Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci

    Itamar Assumpção segue vivo no palco de Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci

    Trio passou pelo Francamente antes de show no Sesc Jundiaí e falou sobre repertório, experimentação e a força do encontro ao vivo.

    Poucos artistas atravessam o tempo como Itamar Assumpção. Sua obra, ligada à Vanguarda Paulista, ao Isca de Polícia e a uma forma muito própria de pensar palavra, ritmo e invenção, segue encontrando novos públicos — inclusive entre gerações que chegaram a ele muito depois de seus primeiros discos.

    Foi esse repertório que levou Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci ao Sesc Jundiaí. Antes do show, o trio passou pelo Francamente, em conversa com Tainan Franco, para falar sobre a homenagem a Itamar, a construção do espetáculo e os caminhos atuais de suas próprias trajetórias.

    O projeto nasceu há mais de dez anos, a partir de encontros na Casa de Francisca, em São Paulo. Aos poucos, o trio foi se reunindo em torno das canções de Itamar e brincando com a ideia de “pregar a palavra” do artista. A piada revela algo sério: há, nesse trabalho, uma relação de devoção, estudo e escuta profunda.

    Mais do que executar canções conhecidas, Juçara, Suzana e Kiko buscam habitar a linguagem de Itamar. O violão de Kiko muitas vezes assume a função das linhas de baixo; as vozes exploram pausas, silêncios, respirações e deslocamentos; a palavra aparece como matéria rítmica. Como lembram na conversa, errar uma sílaba pode ser suficiente para “perder o bonde” da música.

    Esse desafio também explica por que o show segue em transformação. Mesmo depois de uma década, os arranjos mudam, o repertório se altera, uma canção ganha outro contorno e um verso, ouvido tantas vezes, pode atravessar os artistas de uma nova maneira. A obra de Itamar permite isso porque é aberta, viva e ainda aponta para o futuro.

    A entrevista também passou pelo momento atual dos três artistas, cada um deles atravessado por muitos projetos, parcerias e frentes de criação. Juçara falou de seu novo disco em parceria com a pianista Thais Nicodemo, um trabalho de voz e piano preparado — instrumento expandido por objetos, texturas e interferências sonoras — que reúne composições de artistas próximos e desloca o formato voz e piano para um lugar mais experimental.

    Suzana, por sua vez, comentou a continuidade de seus trabalhos ligados à canção, à Vanguarda Paulista e ao repertório caipira. Entre os projetos citados estão Sabor de Veneno, com Arrigo Barnabé, a parceria com Ivan Vilela e Lenine Santos, além do trabalho em voz e violão com Paulo Padilha, em que revisita compositores como Itamar, Arrigo e outros nomes fundamentais da música brasileira.

    Kiko adiantou o lançamento de Medusa, disco previsto para agosto, descrito por ele como um trabalho de amor — mas um amor barulhento. O álbum também nasce em diálogo com outras linguagens: a capa foi criada pela artista Tatiana Blass, a partir de obras inspiradas nas músicas do disco, reforçando uma característica recorrente em sua trajetória, na qual música, imagem, cinema e artes visuais se atravessam.

    Em meio à conversa, também apareceu uma reflexão sobre o presente da música independente. Plataformas, remuneração baixa e inteligência artificial mudam o mercado, mas não substituem o essencial: o encontro entre artista e público. Como o trio reforça, o show segue sendo o lugar onde a música acontece de verdade.

    E talvez seja justamente por isso que Itamar continue tão atual. Sua obra pede palco, corpo, voz, risco e presença. Nas mãos de Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci, ela não vira peça de museu: vira experiência viva, inquieta e pronta para encontrar novos ouvidos.

    Assista aqui:

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  • Musa Oliver abre um novo capítulo entre pop, cura e autodescoberta

    Musa Oliver abre um novo capítulo entre pop, cura e autodescoberta

    Com o EP Capítulo 26, artista radicada em Jundiaí transforma vivências pessoais em uma sonoridade mística, eletrônica e autoral.

    A cantora Musa Oliver esteve no Francamente, em conversa com Tainan Franco, para falar sobre sua trajetória, seus processos criativos e o lançamento de Capítulo 26, EP previsto para 26 de junho de 2026.

    Radicada em Jundiaí, Musa carrega uma relação antiga com a arte. Desde a infância, a música e a poesia aparecem como formas de expressão, elaboração e abrigo. Mais tarde, a formação em Letras pela USP aprofundou sua relação com a palavra, que atravessa tanto sua escrita quanto a maneira como constrói suas canções.

    Em Capítulo 26, essa história ganha forma musical. O EP nasce como uma jornada de autodescoberta e cura, marcada por experiências pessoais, amadurecimento e reconstrução afetiva. A sonoridade mistura elementos do pop, da música eletrônica e de uma atmosfera mais mística, criando um universo próprio para falar de fim, recomeço e transformação.

    A busca por identidade também aparece no visual do projeto. Musa conta que participa diretamente da criação das artes de suas capas, pensando imagem e música como partes de uma mesma narrativa. Aos 26 anos, ela organiza vivências, cicatrizes e descobertas em um trabalho que funciona como retrato de fase — mas também como afirmação artística.

    Na entrevista, a cantora também relembra sua participação no Canta Comigo, experiência que exigiu preparo emocional, vocal e estético para enfrentar o desafio de se apresentar diante de 100 jurados. O episódio marcou sua trajetória e ajudou a fortalecer sua relação com o palco.

    O novo momento de Musa também é construído em parceria. A produção do EP conta com a presença de Flavinho, seu namorado e colaborador.

    Com Capítulo 26, Musa Oliver apresenta uma fase mais madura, autoral e consciente de sua própria linguagem. Um trabalho em que música, palavra, imagem e experiência pessoal se encontram para abrir caminho ao que vem depois.

    Assista aqui:

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  • Glebbo transforma intuição, encontro e metamorfose em música

    Glebbo transforma intuição, encontro e metamorfose em música

    Da experiência nas bandas de baile ao novo trabalho Metamorfose, multi-instrumentista constrói uma trajetória guiada pela experimentação e pelos encontros.

    O músico e multi-instrumentista Glebbo esteve no Francamente para uma conversa sobre trajetória, criação e os caminhos que o levaram a construir uma identidade artística marcada pela liberdade. Da vivência inicial na igreja às bandas de baile, passando pela experiência com a banda Maquinamente e pela carreira solo, sua história revela um artista formado tanto pela prática quanto pelos encontros.

    Na entrevista, Glebbo lembra que as bandas de baile funcionaram como uma verdadeira “faculdade”. Foi nesse ambiente que aprendeu a lidar com repertórios diversos, públicos diferentes e a dinâmica real do palco. Essa experiência ajudou a moldar sua escuta e sua maneira intuitiva de fazer música.

    Multi-instrumentista sem formação formal em todos os instrumentos que toca, Glebbo fala da criação como um processo orgânico. A composição surge no contato direto com os sons, nas descobertas de timbre, nas experimentações e na curiosidade permanente. Essa busca também aparece na criação da Nave, sistema modular e portátil que reúne seus equipamentos para apresentações ao vivo e produção musical.

    O novo trabalho, Metamorfose, aparece como síntese desse momento. Para Glebbo, algumas composições parecem antecipar experiências pessoais, como se a música chegasse antes da compreensão racional. Nesse sentido, criar também se torna uma forma de elaboração, um processo quase terapêutico de expurgo, transformação e reencontro consigo mesmo.

    A conversa também passa pela importância da comunidade. Glebbo fala dos encontros musicais que promove às quintas-feiras no Alto da Mooca, chamados por ele de “nosso culto”: espaços de troca, improviso e convivência, onde estilos, artistas e histórias se cruzam.

    Mais do que uma trajetória voltada a números ou bens materiais, Glebbo apresenta uma visão de sucesso ligada à permanência da criação. Para ele, o valor da arte está na capacidade de manter acesa a fagulha criativa, criar pontes com outros artistas e seguir produzindo encontros.

    No Francamente, sua história aparece justamente como isso: uma metamorfose contínua, feita de música, intuição, amizade e movimento.

    Assista aqui:

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  • Tiago Almeida apresenta KIAROSCURO no Francamente

    Tiago Almeida apresenta KIAROSCURO no Francamente

    Em conversa com Tainan Franco, músico fala sobre o single “O Mundo Inteiro”, suas influências no rock progressivo e o início de uma nova fase autoral.

    O músico Tiago Almeida esteve no Francamente para apresentar KIAROSCURO, seu novo projeto autoral. A estreia acontece com o single “O Mundo Inteiro”, a ser lançado em 19 de junho, e marca uma fase em que o artista aprofunda sua relação com o rock progressivo, a música instrumental e a criação de atmosferas sonoras.

    O nome do projeto vem de chiaroscuro, técnica associada ao contraste entre luz e sombra. Na adaptação para KIAROSCURO, Tiago transforma essa ideia em conceito musical: uma obra construída a partir de tensões, contrastes, camadas e imagens sonoras.

    Na conversa com Tainan Franco, o músico revisita sua trajetória desde Promissão, sua formação em Engenharia da Computação na UFSCar e as referências que ajudaram a moldar sua escuta. Entre elas aparecem nomes como Raul Seixas, Engenheiros do Hawaii, Dream Theater, Pink Floyd e Tool, influências que dialogam com a busca por músicas mais narrativas, densas e cinematográficas.

    Tiago também fala sobre o processo de produção do próprio trabalho. Além de compor, ele se envolve diretamente com gravação, mixagem e masterização, tratando cada lançamento como parte de uma construção maior. A ideia é pensar o álbum não apenas como reunião de faixas, mas como uma narrativa, quase como uma trilha sonora em movimento.

    A tecnologia também atravessa essa trajetória. Engenheiro de formação, Tiago comenta o uso consciente de ferramentas digitais e inteligências artificiais como apoio técnico, especialmente em etapas de produção, sem substituir a criação artística. Para ele, a tecnologia pode auxiliar o processo, mas não ocupar o lugar da intenção, da escuta e da identidade musical.

    O episódio ainda passa pela estratégia de lançamento, pelo apoio da Marã Música, pela importância do pré-save nas plataformas e pela mentoria de Kiko Loureiro em sua carreira. Além do single, Tiago prepara novas músicas e leva o projeto ao palco, com show marcado para 27 de junho no Front, onde apresenta material novo e faixas inéditas.

    Com KIAROSCURO, Tiago Almeida inicia uma nova etapa: mais autoral, conceitual e conectada às possibilidades do rock progressivo contemporâneo.

    Assista aqui:

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