“Expedições: O Café pelo Mundo” percorre Estados Unidos, Suíça e China e mostra como qualidade, origem, tecnologia e sustentabilidade vêm transformando a percepção internacional do produto brasileiro.
O Brasil está presente em xícaras consumidas nos mais diferentes países, mas nem sempre essa origem é conhecida. Durante muito tempo, boa parte do café brasileiro chegou ao mercado internacional associada principalmente ao volume e à regularidade da produção, frequentemente como componente de blends que não informam ao consumidor a região, a propriedade ou a família responsável pelos grãos.
É essa imagem que começa a mudar e que orienta o documentário Expedições: O Café pelo Mundo. Produzido pela Plata Digital e MOV8 Produções por meio da Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura, o filme conta com patrocínio da Adubos Real. Sob a condução da jornalista e cafeicultora Luisa Nogueira, a obra percorre Estados Unidos, Suíça e China para conversar com produtores, compradores, torrefadores, pesquisadores e consumidores sobre o lugar ocupado pelo Brasil no mercado internacional.

Qualidade, origem e valorização do produtor
Em 2025, o país exportou aproximadamente 40 milhões de sacas para 121 destinos e alcançou a receita recorde de US$ 15,6 bilhões. Mas um dos movimentos mais importantes ocorre dentro desse total: os cafés diferenciados — categoria que inclui produtos certificados por práticas sustentáveis ou por qualidade superior — responderam por 20,3% do volume e por 22,6% da receita das exportações brasileiras.
O documentário, entretanto, não se limita às estatísticas. Ao acompanhar famílias produtoras em feiras e encontros internacionais, mostra que a valorização do café também passa pelo reconhecimento das pessoas que estão na origem da cadeia. Em um dos depoimentos, um produtor conta que exportar o próprio café era um antigo sonho de seu pai. Estar fora do país permite conhecer o mercado além da porteira, apresentar a história da família e estabelecer relações diretas com compradores interessados em rastreabilidade e transparência.
É nesse contexto que os microlotes ganham importância. Em lugar de reunir toda a produção indistintamente, determinados grãos podem ser separados de acordo com a área cultivada, a colheita, a variedade ou o processamento utilizado. Isso permite preservar características próprias e informar com maior precisão de onde veio aquele café e quem o produziu.
O filme também mostra que essa valorização não acontece automaticamente. Produzir um café diferenciado exige conhecimento, investimento, controle de qualidade e capacidade de estabelecer relações comerciais. Por isso, tecnologia e tradição não aparecem como elementos opostos. A pesquisa aplicada à cafeicultura, o desenvolvimento de variedades, os diferentes processos de fermentação e o aprimoramento do pós-colheita ampliam as possibilidades sensoriais e ajudam produtores brasileiros a alcançar mercados mais exigentes.

Estados Unidos: dos blends aos cafés de origem
Nos Estados Unidos, a equipe acompanha a Specialty Coffee Expo, realizada em Houston pela Specialty Coffee Association. O evento reuniu profissionais de 85 países para discutir qualidade, equipamentos, tecnologia, sustentabilidade e tendências de consumo. Em um mercado consolidado, o café brasileiro é procurado pela consistência que oferece aos blends, mas também começa a chamar atenção por microlotes, fermentações, diversidade de sabores e relações mais próximas com os produtores. Em 2025, os Estados Unidos foram o principal destino dos cafés diferenciados exportados pelo Brasil.
China: entre a tradição do chá e a expansão do café
A expedição encontra na China um cenário diferente e especialmente promissor. Em cidades marcadas pela tradição do chá, o café vem ganhando espaço entre consumidores jovens, cafeterias especializadas, serviços de entrega e novos modelos de convivência e trabalho. O filme registra desde um café brasileiro servido em uma xícara tradicionalmente utilizada para chá até uma bebida entregue por drone, aproximando tradição e tecnologia.
Em uma das visitas, compradores chineses destacam a pesquisa, as tecnologias empregadas no campo e a variedade de sabores encontrada na produção brasileira. Apesar de ainda existir no país a percepção do Brasil como fornecedor de grandes volumes destinados principalmente aos blends, cresce o interesse por cafés especiais e de origem identificada. Em 2025, a China importou 1,12 milhão de sacas brasileiras, aumento de 19,5% em relação ao ano anterior, alcançando a décima posição entre os destinos do café nacional.
Suíça: sustentabilidade para além do selo
A sustentabilidade também atravessa toda essa discussão. No documentário, ela não aparece apenas como um selo colocado na embalagem, mas como uma combinação de preservação ambiental, atenção às mudanças climáticas, rastreabilidade e responsabilidade nas relações de trabalho. Consumidores e compradores querem saber como o café foi produzido, quais práticas foram adotadas e quem participa desse processo.

Em Genebra, durante a World of Coffee, essa demanda se torna ainda mais evidente. Produtores brasileiros apresentam cafés de diferentes regiões e perfis sensoriais a um mercado que valoriza certificações, indicações geográficas e informações detalhadas sobre cada origem.
Mais valor para quem está na origem
Ao conciliar mercado, tecnologia e experiência humana, Expedições: O Café pelo Mundo mostra que o futuro da cafeicultura brasileira não depende apenas de vender mais. Depende também de comunicar melhor o que já é produzido, ampliar a visibilidade dos produtores e transformar qualidade em valor para quem está na origem da cadeia.
Você poderá conferir o documentário completo no canal Play no Agro, no YouTube, a partir de domingo, 2 de agosto.
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