Após circular em sessões especiais em espaços culturais e educacionais, documentário da MOV8 Produções fica disponível gratuitamente e amplia o debate sobre arte, acessibilidade e criação.
A partir de agora, Sentindo Arte pode ser assistido gratuitamente pelo YouTube, com acesso também pela plataforma MOV8 Play. Financiado pela Lei Paulo Gustavo de Jundiaí, por meio de edital realizado em 2024, o lançamento na plataforma dá continuidade a uma discussão que vinha sendo construída em exibições presenciais desde o final de 2025.
Com roteiro e direção de Tainan Franco, o filme acompanha artistas e profissionais da cultura em trajetórias atravessadas pela música, pelas artes visuais, pela comédia, pela literatura em Libras e pela produção cultural.
“Todo encontro com a arte começa de uma possibilidade: entrar, perceber, compreender, criar.”
A frase que abre o documentário sintetiza a reflexão proposta por Sentindo Arte: antes da obra, do palco ou da apresentação pública, existem caminhos de acesso que tornam a arte possível — e barreiras que ainda precisam ser enfrentadas.
O filme reúne histórias de Bilo PA, músico; Vanessa Bruna, produtora cultural e especialista em inclusão; Tatá Mendonça, comediante e empresária; Daniel Ferreira, artista plástico; e das educadoras e produtoras Cristiane Oliveira, Thais Martins e Karolina Hálona, ligadas à literatura em Libras.
O documentário também conta com participações de Paola Manograsso, da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés; Luciano Germano Gonçalves, tradutor e intérprete de Libras; e Rafael Rodrigues Testa, filósofo e especialista em Educação Especial.
Para Tainan Franco, a escolha central do documentário foi dar protagonismo às trajetórias. “A ideia não era falar sobre deficiência de fora para dentro, nem transformar os artistas em exemplos de superação. O que nos interessava era escutar suas histórias, suas linguagens e seus modos de criar. As reflexões aparecem justamente aí, nas experiências concretas de cada pessoa”, afirma a roteirista e diretora.
Segundo Rafael R. Testa, que assina a produção ao lado de Tainan Franco, essa decisão foi construída desde o roteiro. “Conversamos bastante sobre o quanto havia uma reflexão teórica forte atravessando o documentário. Mas optamos por não explicar isso em excesso. Preferimos deixar que as próprias falas, presenças e trajetórias trouxessem essas ideias ao debate”, destaca.
Em Sentindo Arte, a acessibilidade aparece como condição para que diferentes pessoas possam criar, circular e ser reconhecidas. O filme também recusa o olhar assistencialista sobre a arte feita por pessoas com deficiência, destacando trajetórias que reivindicam acesso, reconhecimento e participação plena na vida cultural.
“Criar também é trabalhar. Envolve técnica, formação, pesquisa, público, circulação e remuneração. Quando a narrativa da superação ocupa todo o espaço, essa dimensão profissional desaparece. O documentário procura deslocar esse olhar”, completa Tainan.
Ao chegar gratuitamente ao YouTube, Sentindo Arte convida novos públicos a conhecerem essas trajetórias. Uma sociedade mais acessível não amplia apenas o mundo das pessoas com deficiência. Ela amplia o mundo de todos.
Sentindo Arte estará disponível no canal da MOV8 Produções no YouTube, com recursos de acessibilidade.
Plataforma organiza conteúdos ligados à cultura, à memória regional, à música brasileira e à produção audiovisual independente, com acesso gratuito pelo site.
A MOV8 Produções acaba de reunir parte de sua trajetória audiovisual em um novo espaço digital: o MOV8 Play. Disponível no site da produtora, a plataforma reúne documentários, shows, entrevistas, programas e registros de projetos culturais produzidos, dirigidos, geridos, distribuídos ou realizados em diferentes momentos da história da MOV8 e de sua idealizadora, Tainan Franco.
A plataforma funciona como um acervo audiovisual em movimento. A proposta é facilitar o acesso do público a conteúdos que antes estavam dispersos em diferentes canais, páginas e fases de produção, criando uma navegação mais organizada para quem deseja conhecer ou revisitar programas, documentários, shows e projetos culturais.
Com acesso gratuito pelo site da MOV8, a plataforma combina curadoria própria, organização visual e integração com o YouTube. Assim, o público pode assistir aos conteúdos de forma simples, em diferentes dispositivos, como computador, tablet e celular, sem necessidade de aplicativo, cadastro ou assinatura.
“O MOV8 Play nasce para dar nova circulação a produções que contam parte da nossa história e também da história cultural da região. São conteúdos que passaram por diferentes formatos e projetos, mas que agora podem ser vistos juntos”, afirma Tainan Franco, fundadora da MOV8.
Uma trajetória que passa pela televisão regional, pela web TV e pelos projetos culturais
O acervo do MOV8 Play reúne produções próprias e conteúdos ligados de diferentes formas à trajetória da MOV8 — da direção e do roteiro à produção executiva, gestão de projetos, captação, distribuição e circulação audiovisual.
Parte importante desse percurso tem relação com a antiga Rede Paulista de Televisão, emissora regional que foi afiliada à TV Cultura e à TV Brasil em Jundiaí e marcou uma fase significativa da produção audiovisual local. Foi nesse ambiente que Tainan Franco atuou por anos no departamento de projetos, participando da realização de documentários, curtas, programas de TV e conteúdos voltados à memória, à cultura e à identidade da região.
A presença desse material também vai além da história da produtora: é uma forma de preservar e recolocar em circulação o trabalho de artistas, produtores, roteiristas, apresentadores, diretores, equipes técnicas e profissionais que fizeram parte dessas realizações.
Entre os conteúdos ligados a esse período estão documentários como Caminho dos Bandeirantes e Imigrantes, que integram o acervo e aparecem entre os materiais de maior interesse do público.
Também estão disponíveis programas do Canal 8, web TV criada pela MOV8, em parceria de Tainan Franco com Renato Janczur Klovrza, e voltada à produção de programas e conteúdos independentes. Ativa entre 2014 e 2016, a iniciativa surgiu em um momento em que a ideia de uma programação audiovisual feita para a internet ainda precisava ser explicada a anunciantes, parceiros e público.
Hoje, quando podcasts, produtoras, marcas e plataformas investem cada vez mais em programas próprios e distribuição digital, o Canal 8 pode ser visto como uma experiência pioneira dentro da realidade regional em que foi criado. Agora, parte dessa produção retorna como integrante do acervo do MOV8 Play. Entre os programas em destaque está o Culturando, programa de entrevistas sobre a cena cultural da região.
Música MOV: shows, entrevistas e alcance nacional
Entre os destaques do MOV8 Play está o Festival Música MOV, que reuniu shows e entrevistas com 16 artistas de diferentes gerações, cenas e linguagens da música brasileira.
A programação passou pelo rap, trap, pop, rock, música instrumental, MPB, soul, R&B e novas cenas independentes. Entre os artistas participantes estão Helião, Yung Buda, Érika Martins, Arismar do Espírito Santo, Fernanda Porto, Roberta Campos, Nila Branco, Felipe Flip, Katú Mirim, GAVI, Renan Cavolik e nomes da cena regional.
Os conteúdos foram disponibilizados no YouTube e também passaram a integrar o catálogo da Music Box Brazil, com distribuição em plataformas como o Prime Video. Os números ajudam a dimensionar o alcance da iniciativa: o Festival Música MOV já soma mais de 500 mil visualizações no YouTube. Somando YouTube e distribuição pela Music Box Brazil, o projeto ultrapassa a marca de 1 milhão de visualizações em suas diferentes janelas de exibição.
Programa Francamente e outros projetos
O MOV8 Play também reúne conteúdos ligados ao Programa Francamente, apresentado por Tainan Franco, que em seu oitavo ano de existência já se consolidou como espaço de entrevistas com artistas, bandas, produtores, agentes culturais e personagens da cena independente.
O acervo também inclui documentários, programas, projetos executados por meio de leis de fomento, conteúdos realizados em parceria e produções distribuídas pela MOV8. Em alguns casos, a atuação da produtora está na realização direta. Em outros, passa pela produção executiva, gestão, captação, distribuição ou apoio à circulação.
Essa diversidade é parte da proposta do MOV8 Play: reunir conteúdos que ajudam a contar uma história audiovisual construída em múltiplas frentes.
Acervo, memória e circulação
Ao organizar produções de diferentes fases em um único ambiente digital, o MOV8 Play reforça uma das marcas da atuação da MOV8: pensar o audiovisual como forma de ampliar o alcance dos projetos culturais, formar memória e alcançar novas audiências.
Com isso, o MOV8 Play transforma registros, entrevistas, shows e documentários em um acervo vivo, aberto ao público e disponível para novas formas de circulação.
A plataforma pode ser acessada gratuitamente pelo site da MOV8: mov8.com.br/play/
Premiado no Berlin Women Cinema Festival, o documentário foi tema de conversa no Francamente com a diretora Luciana Alves e o diretor de fotografia Claudio Alves.
O documentário “Teko Porã: Retrato Atual da Vida Cotidiana na Aldeia Guarani Rio Silveira” ganhou reconhecimento internacional ao ser premiado na 15ª edição do Berlin Women Cinema Festival, realizado em Berlim.
Gravado na Aldeia Rio Silveira, localizada entre Bertioga e São Sebastião, no litoral norte paulista, o longa apresenta um retrato atual do cotidiano Guarani Mbya. Com direção da jornalista Luciana Alves, codireção do Cacique Adolfo Timoteo e fotografia de Claudio Alves, a produção aproxima o público de diferentes gerações, saberes, tradições e transformações vividas dentro da aldeia.
Antes da premiação internacional, Luciana e Claudio participaram de uma conversa no Francamente, com Tainan Franco. Na entrevista os dois falaram sobre o processo de criação do documentário, a construção de confiança com a comunidade, os desafios de filmar sem impor um olhar externo e a importância das políticas públicas para que histórias como essa possam circular.
Uma aldeia a menos de três horas de São Paulo
Um dos pontos mais fortes da conversa é a surpresa provocada pela localização da aldeia. Durante as gravações, Luciana conta que muitas pessoas, ao verem as imagens nas redes sociais, perguntavam se a equipe estava no Xingu ou na Amazônia. A resposta causava estranhamento: a filmagem acontecia no litoral de São Paulo, a cerca de duas horas e meia da capital.
Esse dado revela uma das camadas centrais de Teko Porã. A cultura Guarani Mbya está próxima geograficamente, mas permanece distante do imaginário de grande parte da população. A aldeia Rio Silveira faz parte de um território indígena que abriga cinco aldeias e se estende até áreas de Mata Atlântica próximas a regiões turísticas do litoral paulista.
Filmar no ritmo da aldeia
Ao longo de mais de um ano, a equipe realizou cerca de 20 diárias de gravação. O processo, segundo Luciana e Claudio, exigiu tempo, presença e respeito. A cada nova visita, a relação com a comunidade se aprofundava um pouco mais. Algumas portas se abriam; outras permaneciam fechadas. E isso também fazia parte do filme.
Luciana conta que, desde o início, percebeu a importância de acompanhar o ritmo da aldeia. Havia dias em que a equipe chegava com expectativa de filmar mais, de aproveitar uma luz bonita ou de seguir determinada ideia de roteiro, mas a própria dinâmica da comunidade indicava outro caminho. Em alguns momentos, a gravação terminava antes do previsto. Em outros, a câmera precisava ficar desligada.
Assim, o filme observa, acompanha e acolhe aquilo que a comunidade aceita mostrar. A diretora chegou a dizer, na entrevista, que desejava ter entrado mais no cotidiano das casas e das famílias, mas entendeu que o limite imposto pelos moradores precisava ser respeitado.
O resultado é um documentário construído menos pela pressa da produção e mais pela maturação do vínculo.
Entre dois mundos
A conversa também passa por uma questão essencial: o modo como os Guarani Mbya retratados no filme vivem entre tradições preservadas e pressões do mundo contemporâneo.
Na aldeia, há celular, escola, compras no mercado, venda de artesanato e contato constante com a sociedade não indígena. Ao mesmo tempo, seguem presentes a língua Guarani, a espiritualidade, os cantos, a casa de reza, o respeito às lideranças e uma relação com o território muito diferente daquela que predomina nas cidades.
Luciana menciona uma imagem emblemática do documentário: um indígena com o cachimbo em uma mão e o celular na outra. A força dessa cena está justamente em romper com estereótipos. O uso da tecnologia não anula a identidade indígena. A presença do celular não apaga a tradição. O que aparece ali é a complexidade de uma cultura viva, atravessada pelo presente, sem deixar de carregar sua ancestralidade.
Território, memória e sobrevivência
Em outro momento da entrevista, Tainan, Luciana e Claudio falam sobre a pressão da especulação imobiliária no litoral norte paulista. A aldeia está situada em uma região de grande interesse econômico, próxima a áreas turísticas e condomínios de alto padrão. Para a comunidade, no entanto, aquele território não representa uma mercadoria. Representa continuidade.
A terra, para os Guarani Mbya retratados no documentário, está ligada à vida cotidiana, à espiritualidade, à alimentação, à memória e à permanência coletiva. Preservar a mata é preservar um modo de vida.
Por isso, o filme também dialoga com uma discussão mais ampla sobre meio ambiente, desenvolvimento e formas de habitar o mundo. Ao entrar em contato com a aldeia, a equipe se deparou com outra relação com o tempo, com o trabalho, com o alimento, com a coletividade e com o espaço comum.
Claudio comenta, na entrevista, como a experiência alterou seu próprio olhar. A lógica da produtividade, tão presente na vida urbana, perde força diante de um cotidiano em que o dia pode seguir outro ritmo. Há planejamento, tarefas e responsabilidades, mas há também uma disponibilidade diferente para o tempo, para a convivência e para aquilo que acontece.
A imagem como aproximação
A fotografia é um dos elementos centrais do documentário. Claudio Alves explica que a intenção não era apenas registrar belas imagens da aldeia, da mata e do litoral, mas fazer com que o público pudesse sentir a atmosfera daquele lugar.
As imagens de drone revelam a dimensão do território. Os detalhes da luz, das folhas, dos animais, das crianças e dos olhares durante as entrevistas ajudam a construir uma experiência mais sensível. O filme também valoriza os sons da aldeia: a floresta, os cantos, os ruídos do cotidiano e até os sinais da presença do mundo externo, como o carro do gás e o vendedor de sorvete.
A trilha sonora segue esse princípio. As músicas foram gravadas na própria aldeia, executadas pelos indígenas. A escolha reforça o compromisso de dar protagonismo à comunidade retratada.
Luciana afirma que decidiu não conduzir o filme com uma locução explicativa. Preferiu ampliar a voz dos próprios indígenas, permitindo que o espectador se aproximasse da aldeia a partir das falas, dos gestos, dos silêncios e das cenas do cotidiano.
Política pública também conta histórias
Teko Porã foi realizado com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e do Sistema Nacional de Cultura do Ministério da Cultura.
Projetos como esse movimentam profissionais do audiovisual, da produção, da fotografia, do som, da montagem, da comunicação e da assessoria. Também geram renda para a própria comunidade envolvida, já que indígenas participaram do processo como intérpretes, produtores e coordenadores locais.
Mas a dimensão econômica é apenas uma parte da história. O filme mostra como o investimento em cultura pode criar pontes entre mundos que, apesar de próximos, seguem separados por desconhecimento, preconceito e invisibilidade.
Da aldeia à tela
Antes do lançamento oficial em Jundiaí, realizado em 29 de abril na Sala de Cinema São Paulo–Minas, no Espaço Expressa, o documentário teve uma apresentação especial na própria aldeia Rio Silveira, em 17 de abril, durante a Semana dos Povos Indígenas.
Esse primeiro encontro da comunidade com sua imagem na tela carrega um significado particular. O filme retorna ao território antes de circular para outros públicos. Depois, chega a Jundiaí. Agora, com a premiação em Berlim, amplia seu alcance internacional.
Ao levar a aldeia Rio Silveira para as telas, o documentário também nos devolve uma pergunta: quanto ainda desconhecemos sobre os povos, territórios e modos de vida que existem tão perto de nós?
No Francamente, Luciana Alves e Claudio Alves ajudam a responder parte dessa pergunta. E o prêmio em Berlim confirma que essa história, nascida no encontro entre a Mata Atlântica, a cultura Guarani Mbya e o audiovisual brasileiro, tem força para atravessar fronteiras. Assista à entrevista:
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Produção realizada em Jundiaí pela Lei Paulo Gustavo inicia circulação em sessões especiais.
No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, a MOV8 Produções lança o documentário Sentindo Arte, dirigido e roteirizado por Tainan Franco. Realizado com financiamento da Lei Paulo Gustavo de Jundiaí, por meio de edital de 2024, o filme inicia sua circulação em sessões especiais em espaços culturais, educacionais e formativos.
Bilo (músico). Foto: MOV8 Produções.
A produção reúne artistas e profissionais da cultura para tratar de criação, acessibilidade e participação cultural a partir de experiências concretas. A música, as artes visuais, a literatura em Libras e a produção cultural aparecem no documentário como caminhos de expressão, trabalho e presença pública.
Segundo Tainan Franco, o documentário busca valorizar as trajetórias dos próprios artistas. “A proposta foi escutar essas histórias sem reduzir ninguém à deficiência ou a uma narrativa de superação. O filme fala de acesso, mas também fala de criação, linguagem e reconhecimento”, afirma a diretora.
A circulação de Sentindo Arte pretende aproximar diferentes públicos do debate sobre acessibilidade cultural, especialmente em ambientes de formação. A ideia é que as sessões também funcionem como ponto de partida para conversas sobre arte, deficiência, educação, Libras e inclusão.
Após esse primeiro ciclo de exibições, a produção deverá ser disponibilizada gratuitamente no YouTube, ampliando o acesso ao documentário.