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  • Festa Italiana de Jundiaí: padre Giuseppe relembra as origens da tradição

    Festa Italiana de Jundiaí: padre Giuseppe relembra as origens da tradição

    Em sua 38ª edição, a Festa Italiana de Jundiaí marca uma história que começou com fé, imigração, trabalho voluntário e o desejo de uma comunidade voltar a se reunir.

    Antes de ser uma das festas mais tradicionais de Jundiaí, a Festa Italiana foi uma ideia compartilhada à mesa da comunidade. Antes de reunir milhares de pessoas em torno da massa, da polenta, do vinho, da música e das receitas de família, ela nasceu da inquietação local de “movimentar novamente a Colônia”, fortalecer seus encontros e celebrar uma herança que já fazia parte da vida daquele território.

    No centro dessa história está o padre Giuseppe Bortolato, um dos nomes ligados à origem da festa. Italiano de nascimento, brasileiro por trajetória e jundiaiense por afeto, padre Giuseppe esteve em 2024 no Programa Francamente, com Tainan Franco, em entrevista gravada no contexto da divulgação da festa daquele ano. A conversa acabou se tornando também um registro precioso da memória da Festa Italiana de Jundiaí, da vida comunitária da Colônia e de sua própria história — e aproveitamos para deixar aqui o convite para ele voltar ao Francamente este ano!

    Padre Giuseppe em entrevista ao Francamente, com Tainan Franco – 2024.

    Nascido nas redondezas de Veneza, no período de fim da Segunda Guerra Mundial, Giuseppe entrou no seminário ainda criança, aos 12 anos. Na conversa, contou que sua vocação nasceu em um tempo no qual a igreja ocupava lugar central na vida das pequenas comunidades. Era espaço de fé, mas também de convivência, juventude, música, esporte, festas e formação humana.

    Ordenado padre em 1971, veio ao Brasil como missionário de uma congregação dedicada aos migrantes. E sua primeira destinação foi justamente Jundiaí, no Bairro da Colônia — território marcado pela presença italiana e pela memória das famílias que ajudaram a construir a cidade.

    Ao longo da vida, padre Giuseppe passou também por Santo André, Rio de Janeiro, São Paulo e São Bernardo do Campo. Trabalhou com comunidades paroquiais, migrantes, pessoas em situação de vulnerabilidade e até com a pastoral carcerária. Em todos esses lugares, sua atuação parece ter seguido a mesma intuição: a de que a missão religiosa também se realiza no acolhimento, na escuta e na reconstrução dos laços comunitários.

    Foi ao retornar a Jundiaí, na segunda metade dos anos 1980, que essa história se encontrou com a origem da Festa Italiana. Na entrevista, padre Giuseppe lembra que 1987 foi “o ano da virada”. Ao voltar para a mesma igreja e para o mesmo seminário da Colônia, encontrou “pessoas fantásticas” que traziam a “ideia de fazer uma festa inspirada nas tradicionais festas italianas de São Paulo” (como as de San Gennaro e Nossa Senhora Achiropita). Segundo ele conta, a ideia “casou”. Dentre estas pessoas está Alfredo Paoletti – empresário filho de italianos.

    Foi em 1988, ano em que se comemorou o centenário da imigração italiana em Jundiaí, que a primeira edição ocorreu. A festa nasceu no bairro, ao redor da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, com participação direta de lideranças locais, famílias, voluntários e da própria comunidade. No começo, tudo era mais simples. A festa acontecia nas ruas próximas à igreja, no salão paroquial e nos espaços disponíveis da comunidade. Mas o que poderia ter sido apenas uma pequena confraternização local rapidamente ganhou outra dimensão. Como contou padre Giuseppe a Tainan, a Colônia estava sem as antigas quermesses, a comunidade parecia um pouco parada, e havia uma grande vontade de “fazer alguma coisa”. A resposta veio maior do que o esperado: e a cidade toda abraçou a festa.

    Com o passar dos anos, a Festa Italiana cresceu, ganhou estrutura, público, patrocinadores, visibilidade regional e lugar no calendário cultural de Jundiaí. Mas sua força continuou ligada ao mesmo ponto de origem: o Bairro Colônia. Não por acaso, padre Giuseppe sempre defendeu que a festa permanecesse ali, onde nasceu. Para ele, sua identidade estava no vínculo com o território, com a paróquia, com as famílias e com a memória comunitária.

    Fotos de voluntários da Festa Italiana (créditos: Tamires Neves)

    É justamente por isso que a Festa Italiana atravessa gerações. Ela não é apenas uma celebração da gastronomia italiana, embora a comida seja parte essencial da experiência. É também uma festa de pertencimento. Uma festa feita por voluntários, por famílias, por jovens, adultos, casais, descendentes de italianos e pessoas que, mesmo sem origem italiana, reconhecem na Colônia um pedaço afetivo de Jundiaí.

    Na entrevista, padre Giuseppe resume essa ideia ao dizer que o verdadeiro lucro da festa é a comunidade que se une, cresce, participa e vive feliz aquele momento. A arrecadação ajuda nas necessidades da igreja e em ações comunitárias, mas o sentido mais profundo da festa está na mobilização das pessoas.

    Em 2026, a Festa Italiana de Jundiaí chega à sua 38ª edição.

    A abertura acontece no dia 16 de maio, com jantar no salão da Paróquia Sagrado Coração de Jesus (cujos ingressos, como todos os anos, se esgotaram rapidamente). Já a festa na Praça José Orlandi, com entrada gratuita, será realizada nos dias 23, 24, 30 e 31 de maio, e 6, 7, 13 e 14 de junho, aos sábados, das 18h às 22h, e aos domingos, das 11h às 16h.

    O público encontrará pratos tradicionais como macarrão, nhoque, risoto, lasanha, frango, polenta, focaccia, crustuli, doces e bebidas, além de apresentações musicais e o ambiente familiar que se tornou marca da festa ao longo das décadas. Na conversa com Tainan (realizada em 2024), que você pode conferir na íntegra no link abaixo, padre Giuseppe disse que a Colônia ainda conserva um “cheiro de colônia”, uma marca feita de família, espiritualidade, trabalho e valores comunitários.

    A festa nasceu na Colônia, mas há muito tempo pertence a todas as pessoas de Jundiaí.

  • Campola Rock City: do Orkut ao festival, a força do underground regional

    Campola Rock City: do Orkut ao festival, a força do underground regional

    Projeto independente de divulgação da cena rock nasceu em Campo Limpo Paulista e hoje reúne comunidade, playlist, podcast, canal no YouTube e festival próprio.

    Antes de virar perfil no Instagram, canal no YouTube, podcast, playlist e festival, o Campola Rock City nasceu como ponto de encontro virtual para quem fazia, acompanhava e divulgava a cena rock independente da região. Criado inicialmente como comunidade no Orkut, o projeto atravessou plataformas, acompanhou mudanças na forma de divulgar eventos e se consolidou como uma iniciativa de memória, circulação e fortalecimento do underground regional.

    No texto a seguir, Felipe Gonçalves, responsável pelo Campola Rock City, relembra a origem do projeto, sua ligação com Campo Limpo Paulista e os novos caminhos de uma iniciativa que segue conectando bandas, público e espaços culturais.

    A importância do Campola Rock City e o movimento que ele faz

    Por Felipe Gonçalves

    O Campola Rock City, enquanto mídia independente que se movimenta — e se relaciona vividamente com o underground, principalmente da região metropolitana de Jundiaí — surgiu como uma comunidade do Orkut, em meados de 2010. Naquele momento, havia a necessidade de troca de ideias e, principalmente, de divulgação por meio de flyers, já que os eventos de rock’n’roll de menor porte, especialmente em Campo Limpo Paulista, não tinham qualquer cobertura da imprensa da região.

    O apelido que a própria cidade ganhou na época, entre os entusiastas da cena, veio justamente da canção “Detroit Rock City”, do KISS, enaltecendo a movimentação musical que sempre ocorreu por essas bandas.

    Com a chegada e popularização do Facebook no Brasil — e, por consequência, a posterior extinção do Orkut pela Google —, a comunidade migrou para um grupo dentro da plataforma, existente até os dias de hoje, com mais de 600 membros.

    Com a retomada dos eventos no período pós-pandemia, surgiu novamente a necessidade de abraçar essa comunidade também no ambiente online. Assim, no dia 1º de abril de 2024, o Campola Rock City passou a ser multiplataforma, promovendo informações também em seu perfil no Instagram, movimentado por mim até os dias de hoje.

    Logo vieram outros projetos sustentando a mesma alcunha, como um canal no YouTube e um podcast, com episódios financiados por edital da PNAB. Também surgiu a playlist no Spotify, que hoje reúne 120 bandas independentes, tanto da região quanto da Grande São Paulo.

    Em 2025, por meio de patrocínio e parceria com a Cervejaria Ahtrio e o Hotel Fazenda Morada do Verde, o Campola Rock City ganhou também a primeira edição de seu festival, com entrada franca.

    Para acompanhar todas as movimentações desse projeto de divulgação coletiva, basta acessar o Linktree do Campola Rock City e conhecer os espaços onde essa iniciativa fez – e segue fazendo – diferença.

  • O efeito Shakira: como a cultura movimenta a economia

    O efeito Shakira: como a cultura movimenta a economia

    O show da Shakira no Rio reacende uma discussão importante: cultura não é apenas entretenimento. Quando bem planejada, ela movimenta trabalho, turismo, serviços, renda e imagem pública.

    Quando milhões de pessoas se reúnem para assistir a um show, o que está em cena não é apenas a artista no palco. Há uma cidade inteira em movimento: hotéis, bares, restaurantes, motoristas, técnicos, produtores, vendedores, equipes de segurança, comunicação, audiovisual, limpeza urbana, turismo, comércio e serviços.

    Foi isso que o Rio de Janeiro viu no show gratuito da Shakira em Copacabana, realizado em 2 de maio de 2026, dentro do projeto Todo Mundo no Rio. Segundo dados divulgados pela Prefeitura do Rio e pela Riotur, o evento reuniu cerca de 2 milhões de pessoas e teve impacto econômico estimado em aproximadamente R$ 800 milhões para a cidade. O estudo oficial “Potenciais Impactos Econômicos do ‘Todo Mundo no Rio’ 2026 – Shakira” calcula uma movimentação de R$ 776,2 milhões, considerando os gastos do público com hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços.

    O número chama atenção porque desloca a discussão sobre cultura para outro patamar. Muitas vezes, eventos culturais são vistos apenas como despesa. Mas, quando observados com indicadores claros, eles revelam outra dimensão: cultura também é investimento público, atividade econômica, geração de trabalho e fortalecimento da imagem de uma cidade.

    No caso do show da Shakira, foi divulgado um investimento público de R$ 20 milhões por parte da Prefeitura do Rio. Ainda assim, a comparação entre investimento e retorno econômico projetado é expressiva: diante de uma estimativa de quase R$ 800 milhões movimentados, o evento ajuda a mostrar como a cultura pode ativar uma cadeia econômica muito maior do que o palco em si.

    Essa cadeia inclui desde grandes setores, como turismo e hotelaria, até pequenos empreendedores que sentem diretamente o aumento da circulação de pessoas: ambulantes, comerciantes locais, bares, restaurantes, prestadores de serviço, motoristas de aplicativo, equipes técnicas, profissionais de montagem, produtores, comunicadores e trabalhadores temporários.

    Isso não significa que todo gasto cultural seja automaticamente positivo, nem que qualquer evento se justifique por si só. Investimento público exige planejamento, responsabilidade, avaliação de impacto e transparência. Mas a discussão precisa partir de uma compreensão correta: cultura não é apenas custo. Cultura também é infraestrutura econômica, simbólica e social.

    Esse raciocínio vale para os megashows, mas também para festivais, feiras, mostras audiovisuais, eventos regionais, programas de formação, circulação de artistas, editais culturais e políticas públicas de fomento. Em cada caso, há uma rede de profissionais, serviços e saberes envolvidos.

    É justamente esse campo que chamamos de economia criativa: o conjunto de atividades em que criação, conhecimento, identidade, tecnologia, comunicação e produção cultural se transformam em valor econômico e social.

    No Brasil, os números confirmam essa relevância. Dados do IBGE apresentados pelo Ministério da Cultura apontam que a cultura emprega cerca de 5,9 milhões de pessoas e gera R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia, o equivalente a algo próximo de 3% do PIB. Outro levantamento, o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Firjan, estima que a indústria criativa brasileira representa 3,59% do PIB nacional, totalizando R$ 393,3 bilhões em 2023.

    No mundo, a tendência é semelhante. A UNESCO estima que os setores culturais e criativos respondem por 3,1% do PIB global e por 6,2% de todos os empregos. Ou seja: cultura e criatividade não são temas periféricos na economia contemporânea. Elas estão no centro de novas formas de desenvolvimento, inovação, trabalho e circulação de valor.

    Esses dados ajudam a corrigir uma percepção ainda comum: a de que cultura pertence apenas ao campo do lazer, da decoração ou do “extra”. Na prática, a cultura organiza territórios, atrai visitantes, cria empregos, movimenta serviços, fortalece identidades locais e amplia a projeção de cidades e regiões.

    Para uma produtora cultural, pensar economia criativa é pensar o ciclo completo: da ideia ao projeto, da captação à execução, da formação de público à prestação de contas, da experiência do evento ao legado que ele deixa. É entender que um espetáculo, uma feira, um festival, um documentário, uma ação formativa ou uma política pública de cultura podem produzir impacto muito além do momento em que acontecem.

    Na MOV8, acreditamos que a cultura é uma força concreta de transformação. E, quando tratada com profissionalismo, responsabilidade e visão estratégica, ela mostra aquilo que os números já começam a deixar evidente: investir em cultura é investir em pessoas, territórios e possibilidades.

  • WCD Jundiaí 2026 mostra a força de uma cidade que cria em rede

    WCD Jundiaí 2026 mostra a força de uma cidade que cria em rede

    Entre os dias 21, 22 e 23 de abril, Jundiaí recebeu a segunda edição local do World Creativity Day. O festival, que integra uma mobilização global em torno da criatividade, reuniu na cidade uma programação gratuita com painéis, oficinas, experiências e encontros voltados à inovação, educação, tecnologia, bem-estar, sustentabilidade, cultura e economia criativa.

    Com quase 30 inspiradores, a proposta foi oferecer um espaço para quem busca trocar conhecimentos, ampliar repertórios e se conectar com novas possibilidades criativas. A edição de 2026 também reforçou o lugar de Jundiaí dentro de um movimento maior: o maior festival colaborativo de criatividade do mundo, com atividades realizadas em diferentes cidades entre 19 e 23 de abril de 2026.

    Criatividade para além da arte

    Um dos pontos centrais do WCD Jundiaí 2026 foi ampliar a compreensão do que significa ser criativo. A criatividade pode ser entendida como a capacidade de imaginar soluções, conectar saberes, transformar práticas e criar novas formas de agir no mundo — ideia destacada por Fabi Pincinato, líder do evento em Jundiaí, e Rosana Rodrigues, co-líder, em entrevista ao programa Francamente, apresentado por Tainan Franco, também co-líder do WCD em Jundiaí.

    Na conversa, elas desafiam a ideia, ainda comum, de que a criatividade pertence apenas a artistas, designers ou profissionais da comunicação. No WCD, ela aparece como ferramenta cotidiana, presente na gestão, na saúde, no ensino, no empreendedorismo, na sustentabilidade e nas relações comunitárias.

    Um formato pensado para troca

    A programação deste ano apostou em painéis curtos, de cerca de 45 minutos, substituindo o modelo tradicional de palestras longas por uma dinâmica mais aberta à interação. A escolha revela o entendimento de que não basta apenas transmitir conteúdo; é preciso criar espaço para encontro, escuta, circulação de ideias e participação.

    Na entrevista ao Francamente, as organizadoras também destacaram que a curadoria foi construída de forma colaborativa. Pessoas de áreas diferentes foram aproximadas para gerar trocas menos óbvias e mais férteis — conectando, por exemplo, saúde, recursos humanos, educação, cultura, tecnologia e práticas criativas.

    Três dias, três espaços, muitas conexões

    A programação ocupou diferentes espaços da cidade, reforçando a ideia de que a criatividade pode circular por ambientes diversos.

    Painel na Mata Ciliar.

    No dia 21, a abertura oficial aconteceu na Mata Ciliar, com foco em inovação e meio ambiente, pensando a criatividade também como resposta aos desafios ambientais e à necessidade de novas relações com o território.

    Bateria Feminina da Escola de Samba União da Vila na Faculdade Anhanguera.

    No dia 22, as atividades seguiram na Faculdade Anhanguera, com oficinas e painéis sobre tecnologia, bem-estar e criatividade. A programação foi encerrada com uma roda de conversa sobre mulheres no samba, aproximando cultura popular e protagonismo feminino.

    Oficina de colagem no Senac Jundiaí.

    No dia 23, o festival chegou ao Senac Jundiaí, com atividades como oficina de colagem, painéis de discussão e uma vivência de Maracatu, encerrando a edição com uma experiência marcada pelo corpo, pelo ritmo e pela presença coletiva.

    Ao transitar por instituições de ensino, espaços de formação e ambientes ligados à cultura e à sustentabilidade, o WCD Jundiaí 2026 mostrou que a criatividade não cabe em um único palco. Ela se distribui pela cidade, ganha forma em diferentes linguagens e se fortalece quando encontra condições para circular.

    Em uma época em que muito se fala sobre economia criativa, o WCD Jundiaí ajuda a lembrar que desenvolvimento criativo não se faz apenas com grandes estruturas ou investimentos concentrados. Ele também depende de redes locais, de pessoas dispostas a compartilhar conhecimento, de instituições abertas ao diálogo e de iniciativas que ampliem o acesso da população à formação, à inspiração e à experimentação.

    Cobertura da Tribuna de Jundiaí.

    A força das parcerias locais

    A realização do evento também evidencia a força das parcerias locais. O WCD Jundiaí 2026 contou com a Adecil como mantenedora/patrocinadora principal, além do patrocínio da Agência io! e da VRS Academy. A Tribuna de Jundiaí atuou como parceira de mídia, e a rede de apoiadores contou com Tsuru Criativa, Tsuru Arte e MOV8 Produções, além das voluntárias que se somaram à mobilização criativa.

    Organizadoras e voluntárias WCD 2026.

    Mais do que uma programação pontual, o WCD Jundiaí se afirma como um movimento de conexão entre pessoas, instituições e iniciativas que acreditam na criatividade como força de transformação. Uma cidade que cria em rede cria também novas formas de imaginar seu próprio futuro.

    Para saber mais: WCD Jundiaí no Francamente

    Quem quiser conhecer melhor os bastidores, os propósitos e a visão por trás do World Creativity Day em Jundiaí pode assistir à entrevista no programa Francamente.

  • Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos inaugura a Santé Acadêmica

    Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos inaugura a Santé Acadêmica

    Publicação nasce do projeto LogLibras, desenvolvido com apoio do CNPq, e reúne termos de Lógica e Filosofia em uma perspectiva bilíngue, intercultural e acessível.

    A publicação do Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos marca a estreia da Santé Acadêmica, novo selo da Santé Publicações voltado a obras de perfil científico, formativo e acadêmico. A obra conta com coedição da MOV8 Produções e inaugura o selo com uma proposta que une pesquisa, acessibilidade, educação e cuidado editorial.

    Assinado por Rafael Rodrigues Testa, João Antonio de Moraes e Lucimar Bizio, com ilustrações de Podre Flores, o livro resulta do projeto LogLibras – Elaboração de material didático de Lógica para surdos em uma perspectiva bilíngue e intercultural, desenvolvido com apoio do CNPq. A pesquisa parte da compreensão de que o ensino de Lógica para estudantes surdos exige materiais concebidos a partir da Libras, respeitando suas especificidades linguísticas, visuais e pedagógicas.

    Ao longo do projeto, tornou-se evidente a necessidade de reunir, organizar e, em alguns casos, propor sinais ligados ao vocabulário lógico-filosófico. O Sinalário nasce dessa demanda concreta: oferecer um material de apoio para a mediação de conceitos filosóficos e lógicos em contextos de ensino bilíngue, contribuindo para ampliar as condições de acesso ao conhecimento.

    A publicação expressa um trabalho de pesquisa e criação didática desenvolvido em diálogo com a comunidade surda e com as necessidades reais do ensino. O livro sistematiza termos especializados e busca fortalecer a circulação de conteúdos filosóficos em Libras, respeitando a centralidade da língua de sinais na construção do conhecimento para estudantes surdos.

    A escolha do Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos como primeira publicação da Santé Acadêmica também reforça a proposta do novo selo: reunir rigor científico, responsabilidade editorial e relevância social. A Santé Acadêmica surge como uma linha dedicada a obras de pesquisa, ensino e formação, com atenção à curadoria científica, à qualidade editorial e ao respeito ao trabalho intelectual dos autores.

    Para a MOV8 Produções, a coedição da obra dialoga com uma atuação mais ampla voltada à cultura, à educação, e à produção de projetos com impacto social. Ao participar da publicação, a produtora reforça seu compromisso com iniciativas que aproximam conhecimento, inclusão e circulação pública de conteúdos formativos.

    Serviço

    Publicação: Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos
    Autores: Rafael Rodrigues Testa, João Antonio de Moraes e Lucimar Bizio
    Projeto de origem: LogLibras – Elaboração de material didático de Lógica para surdos em uma perspectiva bilíngue e intercultural
    Apoio: CNPq
    Selo: Santé Acadêmica
    Coedição: MOV8 Produções
    Área: Filosofia, Lógica, Libras, educação bilíngue e acessibilidade

  • Palestras do TEDxJundiaí Women já estão no canal oficial TEDx Talks

    Palestras do TEDxJundiaí Women já estão no canal oficial TEDx Talks

    Edição leva ao público global reflexões sobre acesso como permanência, voz, autonomia e transformação

    Os vídeos das palestras do TEDxJundiaí Women – Acessos já estão publicados no canal oficial TEDx Talks, no YouTube. Com isso, as ideias compartilhadas no palco da edição passam a circular muito além da experiência ao vivo, ampliando o alcance das reflexões apresentadas no evento.

    Na abertura da noite, a curadora e anfitriã Tainan Franco explicou que falar de acesso não é falar apenas de entrada, mas das condições concretas que permitem permanecer, crescer, liderar e transformar. Em seu manifesto, definiu “acessos” como algo ao mesmo tempo direto e estrutural, ligado a oportunidade, renda, tempo, rede, informação, decisão e voz. Também chamou atenção para um ponto central da curadoria: trajetórias individuais não deveriam ser recebidas como exceções heroicas, mas como convite a uma reflexão coletiva sobre as condições que tornam certos caminhos possíveis.

    Foi a partir dessa perspectiva que as seis palestras da edição se organizaram. Em vez de tratar “acesso” como abstração, cada fala o aproximou de uma dimensão concreta da vida.

    O que sustenta o que ninguém vê

    A contribuição de Ana Oliva levou o público a pensar o acesso sob a ótica da liderança e da força mental. Ao relacionar esporte, vida e gestão, sua fala deslocou o foco para aquilo que nem sempre aparece: disciplina, resiliência e a capacidade de sustentar decisões em cenários difíceis.

    Ao falar do “invisível”, ela chama atenção para tudo o que não costuma caber em planilhas nem se tornar imediatamente visível aos outros, mas que, ainda assim, sustenta escolhas, trajetórias e resultados. Sua fala propõe uma visão de liderança menos centrada na aparência do comando e mais voltada ao trabalho interno de constância, maturidade e presença diante da incerteza.

    Quando reconhecer a si transforma uma vida

    Na fala de Kátia Teófilo, o acesso aparece como reconhecimento de si. Partindo de sua relação com o próprio cabelo, ela mostra como algo frequentemente tratado como simples questão estética pode carregar experiências profundas de apagamento, pertencimento, e transformação.

    Ao longo da palestra, o cabelo passa a condensar uma pergunta maior: o que muda quando alguém deixa de tentar caber no olhar dos outros e passa, enfim, a se reconhecer? Sua fala transforma uma trajetória pessoal em reflexão mais ampla sobre identidade, autoestima e liberdade para existir com mais inteireza.

    Presença e legado

    Revisitando a própria trajetória, Leandra Maia transforma barreiras e experiências de exclusão em uma reflexão sobre ocupação de espaços e a marca que cada pessoa deseja deixar no mundo.

    Sua fala não se organiza em torno da deficiência como encerramento de sentido, mas como parte de uma trajetória atravessada por dor, enfrentamento, força e construção de presença. Ao colocar em primeiro plano a pergunta sobre o legado, Leandra desloca o olhar do limite presumido para aquilo que se constrói a partir da experiência vivida.

    Trabalho, autonomia e caminho aberto para outras mulheres

    No caso de Miriam Müller, o acesso aparece em sua dimensão mais concreta: trabalho, formação e autonomia. Ao falar de sua entrada na construção civil e da criação de um projeto voltado à capacitação de mulheres, sua palestra mostra como aprender um ofício pode significar muito mais do que geração de renda.

    Em sua fala, acesso real envolve ferramentas, permanência, autoestima e a possibilidade de abrir portas para outras mulheres também.

    O que continua sendo humano

    A fala de Ethel Panitsa Beluzzi introduz uma reflexão filosófica na noite ao tomar a inteligência artificial como ponto de partida para investigar o que permanece propriamente humano. Ao discutir linguagem, viés, pensamento e os limites dos modelos de linguagem, ela propõe uma reflexão que ultrapassa o fascínio imediato pela tecnologia.

    Sua palestra levanta a necessidade de compreendermos os limites da IA e de não abrirmos mão daquilo que ela não substitui: experiência, senso crítico, construção de pensamento e a dimensão viva da linguagem. Ao fazer isso, Ethel desloca o debate da mera eficiência para uma pergunta mais profunda sobre o que nos constitui como humanos.

    Portas, chaves e desigualdade de acesso

    Encerrando a programação de falas, Mariana Janeiro organiza sua apresentação em torno da metáfora das portas e das chaves para discutir acesso, desigualdade e oportunidade. A partir de sua própria trajetória, ela mostra que aquilo que muitas vezes é lido como sorte também depende de condições concretas: origem, afeto, educação, identidade, autonomia, contexto, voz e poder.

    Sua fala dá ao tema do evento um desdobramento ético e coletivo. A pergunta deixa de ser apenas quem conseguiu entrar e passa a ser também quem recebeu as chaves, quem sequer sabe que certas portas existem e o que fazemos com aquilo a que tivemos acesso. Ao final, a reflexão se desloca do caso individual para a responsabilidade compartilhada de ampliar caminhos para outras pessoas.

    Uma conversa que continua

    No encerramento da noite, Tainan Franco retomou explicitamente essa dimensão coletiva. Ao destacar a importância de mulheres caminharem em rede, reconhecererem-se mutuamente e ampliarem espaços de permanência para outras, ela reposicionou o sentido de “Acessos”: mais do que conquistas individuais, trata-se de uma responsabilidade compartilhada.

    A realização do TEDxJundiaí Women – Acessos contou também com o apoio fundamental do Senac Jundiaí, instituição anfitriã desta edição. Ao acolher o evento e oferecer a estrutura necessária para sua realização e gravação, o Senac contribuiu diretamente para que essas ideias pudessem não apenas ganhar forma no palco, mas também seguir circulando agora no canal oficial TEDx Talks: como conjunto de ideias que ajudam a pensar, de maneira crítica e sensível, as estruturas — visíveis e invisíveis — que moldam quem pode acessar, permanecer, decidir e transformar.