Categoria: Portal MOV8

  • Campola Rock City: do Orkut ao festival, a força do underground regional

    Campola Rock City: do Orkut ao festival, a força do underground regional

    Projeto independente de divulgação da cena rock nasceu em Campo Limpo Paulista e hoje reúne comunidade, playlist, podcast, canal no YouTube e festival próprio.

    Antes de virar perfil no Instagram, canal no YouTube, podcast, playlist e festival, o Campola Rock City nasceu como ponto de encontro virtual para quem fazia, acompanhava e divulgava a cena rock independente da região. Criado inicialmente como comunidade no Orkut, o projeto atravessou plataformas, acompanhou mudanças na forma de divulgar eventos e se consolidou como uma iniciativa de memória, circulação e fortalecimento do underground regional.

    No texto a seguir, Felipe Gonçalves, responsável pelo Campola Rock City, relembra a origem do projeto, sua ligação com Campo Limpo Paulista e os novos caminhos de uma iniciativa que segue conectando bandas, público e espaços culturais.

    A importância do Campola Rock City e o movimento que ele faz

    Por Felipe Gonçalves

    O Campola Rock City, enquanto mídia independente que se movimenta — e se relaciona vividamente com o underground, principalmente da região metropolitana de Jundiaí — surgiu como uma comunidade do Orkut, em meados de 2010. Naquele momento, havia a necessidade de troca de ideias e, principalmente, de divulgação por meio de flyers, já que os eventos de rock’n’roll de menor porte, especialmente em Campo Limpo Paulista, não tinham qualquer cobertura da imprensa da região.

    O apelido que a própria cidade ganhou na época, entre os entusiastas da cena, veio justamente da canção “Detroit Rock City”, do KISS, enaltecendo a movimentação musical que sempre ocorreu por essas bandas.

    Com a chegada e popularização do Facebook no Brasil — e, por consequência, a posterior extinção do Orkut pela Google —, a comunidade migrou para um grupo dentro da plataforma, existente até os dias de hoje, com mais de 600 membros.

    Com a retomada dos eventos no período pós-pandemia, surgiu novamente a necessidade de abraçar essa comunidade também no ambiente online. Assim, no dia 1º de abril de 2024, o Campola Rock City passou a ser multiplataforma, promovendo informações também em seu perfil no Instagram, movimentado por mim até os dias de hoje.

    Logo vieram outros projetos sustentando a mesma alcunha, como um canal no YouTube e um podcast, com episódios financiados por edital da PNAB. Também surgiu a playlist no Spotify, que hoje reúne 120 bandas independentes, tanto da região quanto da Grande São Paulo.

    Em 2025, por meio de patrocínio e parceria com a Cervejaria Ahtrio e o Hotel Fazenda Morada do Verde, o Campola Rock City ganhou também a primeira edição de seu festival, com entrada franca.

    Para acompanhar todas as movimentações desse projeto de divulgação coletiva, basta acessar o Linktree do Campola Rock City e conhecer os espaços onde essa iniciativa fez – e segue fazendo – diferença.

  • O efeito Shakira: como a cultura movimenta a economia

    O efeito Shakira: como a cultura movimenta a economia

    O show da Shakira no Rio reacende uma discussão importante: cultura não é apenas entretenimento. Quando bem planejada, ela movimenta trabalho, turismo, serviços, renda e imagem pública.

    Quando milhões de pessoas se reúnem para assistir a um show, o que está em cena não é apenas a artista no palco. Há uma cidade inteira em movimento: hotéis, bares, restaurantes, motoristas, técnicos, produtores, vendedores, equipes de segurança, comunicação, audiovisual, limpeza urbana, turismo, comércio e serviços.

    Foi isso que o Rio de Janeiro viu no show gratuito da Shakira em Copacabana, realizado em 2 de maio de 2026, dentro do projeto Todo Mundo no Rio. Segundo dados divulgados pela Prefeitura do Rio e pela Riotur, o evento reuniu cerca de 2 milhões de pessoas e teve impacto econômico estimado em aproximadamente R$ 800 milhões para a cidade. O estudo oficial “Potenciais Impactos Econômicos do ‘Todo Mundo no Rio’ 2026 – Shakira” calcula uma movimentação de R$ 776,2 milhões, considerando os gastos do público com hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços.

    O número chama atenção porque desloca a discussão sobre cultura para outro patamar. Muitas vezes, eventos culturais são vistos apenas como despesa. Mas, quando observados com indicadores claros, eles revelam outra dimensão: cultura também é investimento público, atividade econômica, geração de trabalho e fortalecimento da imagem de uma cidade.

    No caso do show da Shakira, foi divulgado um investimento público de R$ 20 milhões por parte da Prefeitura do Rio. Ainda assim, a comparação entre investimento e retorno econômico projetado é expressiva: diante de uma estimativa de quase R$ 800 milhões movimentados, o evento ajuda a mostrar como a cultura pode ativar uma cadeia econômica muito maior do que o palco em si.

    Essa cadeia inclui desde grandes setores, como turismo e hotelaria, até pequenos empreendedores que sentem diretamente o aumento da circulação de pessoas: ambulantes, comerciantes locais, bares, restaurantes, prestadores de serviço, motoristas de aplicativo, equipes técnicas, profissionais de montagem, produtores, comunicadores e trabalhadores temporários.

    Isso não significa que todo gasto cultural seja automaticamente positivo, nem que qualquer evento se justifique por si só. Investimento público exige planejamento, responsabilidade, avaliação de impacto e transparência. Mas a discussão precisa partir de uma compreensão correta: cultura não é apenas custo. Cultura também é infraestrutura econômica, simbólica e social.

    Esse raciocínio vale para os megashows, mas também para festivais, feiras, mostras audiovisuais, eventos regionais, programas de formação, circulação de artistas, editais culturais e políticas públicas de fomento. Em cada caso, há uma rede de profissionais, serviços e saberes envolvidos.

    É justamente esse campo que chamamos de economia criativa: o conjunto de atividades em que criação, conhecimento, identidade, tecnologia, comunicação e produção cultural se transformam em valor econômico e social.

    No Brasil, os números confirmam essa relevância. Dados do IBGE apresentados pelo Ministério da Cultura apontam que a cultura emprega cerca de 5,9 milhões de pessoas e gera R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia, o equivalente a algo próximo de 3% do PIB. Outro levantamento, o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Firjan, estima que a indústria criativa brasileira representa 3,59% do PIB nacional, totalizando R$ 393,3 bilhões em 2023.

    No mundo, a tendência é semelhante. A UNESCO estima que os setores culturais e criativos respondem por 3,1% do PIB global e por 6,2% de todos os empregos. Ou seja: cultura e criatividade não são temas periféricos na economia contemporânea. Elas estão no centro de novas formas de desenvolvimento, inovação, trabalho e circulação de valor.

    Esses dados ajudam a corrigir uma percepção ainda comum: a de que cultura pertence apenas ao campo do lazer, da decoração ou do “extra”. Na prática, a cultura organiza territórios, atrai visitantes, cria empregos, movimenta serviços, fortalece identidades locais e amplia a projeção de cidades e regiões.

    Para uma produtora cultural, pensar economia criativa é pensar o ciclo completo: da ideia ao projeto, da captação à execução, da formação de público à prestação de contas, da experiência do evento ao legado que ele deixa. É entender que um espetáculo, uma feira, um festival, um documentário, uma ação formativa ou uma política pública de cultura podem produzir impacto muito além do momento em que acontecem.

    Na MOV8, acreditamos que a cultura é uma força concreta de transformação. E, quando tratada com profissionalismo, responsabilidade e visão estratégica, ela mostra aquilo que os números já começam a deixar evidente: investir em cultura é investir em pessoas, territórios e possibilidades.

  • Reforma agrária é sobre comida, clima e futuro

    Reforma agrária é sobre comida, clima e futuro

    No Francamente, Gilmar Mauro amplia o debate sobre terra, alimentação e os desafios ambientais do Brasil.

    Falar em reforma agrária ainda provoca, no Brasil, uma reação imediata. Para muita gente, o tema parece distante, restrito ao campo ou aos movimentos rurais. Mas essa talvez seja uma leitura pequena demais para um problema que atravessa a história, a economia, a alimentação e o meio ambiente.

    A forma como um país organiza seu território define muito mais do que quem planta e quem colhe. Define o que chega à mesa, quanto custa a comida, quais áreas são preservadas, como as cidades crescem e que futuro climático estamos ajudando a construir.

    Esses foram alguns dos temas abordados pelo Francamente, apresentado por Tainan Franco, ao receber Gilmar Mauro, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. A conversa partiu da história da luta pela terra no Brasil, mas abriu espaço para uma reflexão mais ampla: discutir reforma agrária hoje é discutir também sistemas alimentares, sustentabilidade e projeto de país.

    Terra, alimento e desigualdade

    A concentração de terras atravessa a formação histórica do Brasil e ajuda a explicar por que a desigualdade brasileira não pode ser compreendida apenas pela renda. Ela também está inscrita no território.

    Quem controla a terra controla parte importante da produção de riqueza, da circulação de alimentos, da preservação ambiental e das possibilidades de vida de milhões de pessoas. Por isso, falar de reforma agrária é falar de uma estrutura que ainda influencia o preço dos alimentos, o acesso à produção, o trabalho no campo e o crescimento das cidades.

    Quando grandes áreas são destinadas sobretudo à produção de commodities, a diversidade alimentar, os circuitos locais e o acesso a alimentos frescos passam a disputar espaço com uma lógica voltada à exportação.

    Essa discussão está longe de ser exclusivamente brasileira. Organizações internacionais têm chamado atenção para a necessidade de transformar os sistemas alimentares, considerando seus impactos sobre clima, biodiversidade, saúde e segurança alimentar. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA, por exemplo, destaca que padrões sustentáveis de produção e consumo de alimentos devem proteger a biodiversidade, contribuir para a estabilidade climática e reduzir a poluição.

    Nesse contexto, a agroecologia aparece como uma das alternativas em debate, ao aplicar princípios ecológicos ao desenho e à gestão de sistemas alimentares sustentáveis, podendo contribuir para sistemas mais produtivos, inclusivos e resilientes.

    É nessa direção que a ideia de “reforma agrária popular”, apresentada por Gilmar Mauro, amplia o debate. Não se trata apenas de distribuir terra, mas de pensar que tipo de alimento será produzido, com quais técnicas, em quais territórios e com quais impactos para a sociedade.

    Fonte: https://mst.org.br/nossa-producao/ (acessado em 07 de maio, 2026).

    Hoje, experiências ligadas aos assentamentos envolvem formação técnica, produção orgânica, bioinsumos, cooperativas, mecanização adaptada e pesquisa aplicada. A questão, portanto, não é opor campo e tecnologia, mas sim perguntar a serviço de que projeto a tecnologia será colocada: ela pode fortalecer circuitos locais, reduzir impactos ambientais, ampliar a autonomia dos produtores e melhorar a qualidade da alimentação; ou pode continuar a aprofundar a dependência de insumos externos, a concentração produtiva e a padronização alimentar.

    A crise climática também passa pelo prato

    A emergência climática tornou impossível separar agricultura, meio ambiente e vida urbana. Enchentes, estiagens, ondas de calor, insegurança hídrica, perda de biodiversidade e degradação do solo já afetam diretamente a vida nas cidades e no campo.

    A própria UNESCO tem destacado a importância de práticas sustentáveis de manejo da terra e de recuperação da saúde do solo como parte dos desafios ambientais contemporâneos. Na mesma direção, a transformação dos sistemas alimentares aparece como um ponto decisivo para enfrentar perdas de biodiversidade e reduzir pressões sobre a natureza.

    Por isso, discutir o uso da terra deixou de ser uma pauta setorial. Agroflorestas, recuperação de áreas degradadas, preservação de nascentes, redução do uso de venenos e produção de alimentos em bases sustentáveis são respostas concretas a problemas que já aparecem no cotidiano.

    Em regiões como Jundiaí, onde a expansão urbana convive com debates sobre preservação ambiental, abastecimento, mobilidade e qualidade de vida, essa conversa ganha ainda mais proximidade. Reforma agrária, nesse sentido, não diz respeito apenas ao campo distante. Também ajuda a pensar o modo como uma cidade decide crescer.

    Uma conversa necessária para além do campo

    Falar de terra é falar de alimentação. Falar de alimentação é falar de saúde. Falar de saúde é falar de meio ambiente. E falar de meio ambiente é falar também de cidade, planejamento urbano e futuro.

    Ao abrir espaço para essa conversa, o Francamente reafirma uma de suas vocações: provocar o debate público sobre temas que atravessam a vida cotidiana, mesmo quando parecem distantes dela.

    Assista ao episódio completo do Francamente com Gilmar Mauro e acompanhe essa conversa sobre reforma agrária, agroecologia, crise climática e os caminhos possíveis para pensar o Brasil.

  • WCD Jundiaí 2026 mostra a força de uma cidade que cria em rede

    WCD Jundiaí 2026 mostra a força de uma cidade que cria em rede

    Entre os dias 21, 22 e 23 de abril, Jundiaí recebeu a segunda edição local do World Creativity Day. O festival, que integra uma mobilização global em torno da criatividade, reuniu na cidade uma programação gratuita com painéis, oficinas, experiências e encontros voltados à inovação, educação, tecnologia, bem-estar, sustentabilidade, cultura e economia criativa.

    Com quase 30 inspiradores, a proposta foi oferecer um espaço para quem busca trocar conhecimentos, ampliar repertórios e se conectar com novas possibilidades criativas. A edição de 2026 também reforçou o lugar de Jundiaí dentro de um movimento maior: o maior festival colaborativo de criatividade do mundo, com atividades realizadas em diferentes cidades entre 19 e 23 de abril de 2026.

    Criatividade para além da arte

    Um dos pontos centrais do WCD Jundiaí 2026 foi ampliar a compreensão do que significa ser criativo. A criatividade pode ser entendida como a capacidade de imaginar soluções, conectar saberes, transformar práticas e criar novas formas de agir no mundo — ideia destacada por Fabi Pincinato, líder do evento em Jundiaí, e Rosana Rodrigues, co-líder, em entrevista ao programa Francamente, apresentado por Tainan Franco, também co-líder do WCD em Jundiaí.

    Na conversa, elas desafiam a ideia, ainda comum, de que a criatividade pertence apenas a artistas, designers ou profissionais da comunicação. No WCD, ela aparece como ferramenta cotidiana, presente na gestão, na saúde, no ensino, no empreendedorismo, na sustentabilidade e nas relações comunitárias.

    Um formato pensado para troca

    A programação deste ano apostou em painéis curtos, de cerca de 45 minutos, substituindo o modelo tradicional de palestras longas por uma dinâmica mais aberta à interação. A escolha revela o entendimento de que não basta apenas transmitir conteúdo; é preciso criar espaço para encontro, escuta, circulação de ideias e participação.

    Na entrevista ao Francamente, as organizadoras também destacaram que a curadoria foi construída de forma colaborativa. Pessoas de áreas diferentes foram aproximadas para gerar trocas menos óbvias e mais férteis — conectando, por exemplo, saúde, recursos humanos, educação, cultura, tecnologia e práticas criativas.

    Três dias, três espaços, muitas conexões

    A programação ocupou diferentes espaços da cidade, reforçando a ideia de que a criatividade pode circular por ambientes diversos.

    Painel na Mata Ciliar.

    No dia 21, a abertura oficial aconteceu na Mata Ciliar, com foco em inovação e meio ambiente, pensando a criatividade também como resposta aos desafios ambientais e à necessidade de novas relações com o território.

    Bateria Feminina da Escola de Samba União da Vila na Faculdade Anhanguera.

    No dia 22, as atividades seguiram na Faculdade Anhanguera, com oficinas e painéis sobre tecnologia, bem-estar e criatividade. A programação foi encerrada com uma roda de conversa sobre mulheres no samba, aproximando cultura popular e protagonismo feminino.

    Oficina de colagem no Senac Jundiaí.

    No dia 23, o festival chegou ao Senac Jundiaí, com atividades como oficina de colagem, painéis de discussão e uma vivência de Maracatu, encerrando a edição com uma experiência marcada pelo corpo, pelo ritmo e pela presença coletiva.

    Ao transitar por instituições de ensino, espaços de formação e ambientes ligados à cultura e à sustentabilidade, o WCD Jundiaí 2026 mostrou que a criatividade não cabe em um único palco. Ela se distribui pela cidade, ganha forma em diferentes linguagens e se fortalece quando encontra condições para circular.

    Em uma época em que muito se fala sobre economia criativa, o WCD Jundiaí ajuda a lembrar que desenvolvimento criativo não se faz apenas com grandes estruturas ou investimentos concentrados. Ele também depende de redes locais, de pessoas dispostas a compartilhar conhecimento, de instituições abertas ao diálogo e de iniciativas que ampliem o acesso da população à formação, à inspiração e à experimentação.

    Cobertura da Tribuna de Jundiaí.

    A força das parcerias locais

    A realização do evento também evidencia a força das parcerias locais. O WCD Jundiaí 2026 contou com a Adecil como mantenedora/patrocinadora principal, além do patrocínio da Agência io! e da VRS Academy. A Tribuna de Jundiaí atuou como parceira de mídia, e a rede de apoiadores contou com Tsuru Criativa, Tsuru Arte e MOV8 Produções, além das voluntárias que se somaram à mobilização criativa.

    Organizadoras e voluntárias WCD 2026.

    Mais do que uma programação pontual, o WCD Jundiaí se afirma como um movimento de conexão entre pessoas, instituições e iniciativas que acreditam na criatividade como força de transformação. Uma cidade que cria em rede cria também novas formas de imaginar seu próprio futuro.

    Para saber mais: WCD Jundiaí no Francamente

    Quem quiser conhecer melhor os bastidores, os propósitos e a visão por trás do World Creativity Day em Jundiaí pode assistir à entrevista no programa Francamente.

  • Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos inaugura a Santé Acadêmica

    Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos inaugura a Santé Acadêmica

    Publicação nasce do projeto LogLibras, desenvolvido com apoio do CNPq, e reúne termos de Lógica e Filosofia em uma perspectiva bilíngue, intercultural e acessível.

    A publicação do Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos marca a estreia da Santé Acadêmica, novo selo da Santé Publicações voltado a obras de perfil científico, formativo e acadêmico. A obra conta com coedição da MOV8 Produções e inaugura o selo com uma proposta que une pesquisa, acessibilidade, educação e cuidado editorial.

    Assinado por Rafael Rodrigues Testa, João Antonio de Moraes e Lucimar Bizio, com ilustrações de Podre Flores, o livro resulta do projeto LogLibras – Elaboração de material didático de Lógica para surdos em uma perspectiva bilíngue e intercultural, desenvolvido com apoio do CNPq. A pesquisa parte da compreensão de que o ensino de Lógica para estudantes surdos exige materiais concebidos a partir da Libras, respeitando suas especificidades linguísticas, visuais e pedagógicas.

    Ao longo do projeto, tornou-se evidente a necessidade de reunir, organizar e, em alguns casos, propor sinais ligados ao vocabulário lógico-filosófico. O Sinalário nasce dessa demanda concreta: oferecer um material de apoio para a mediação de conceitos filosóficos e lógicos em contextos de ensino bilíngue, contribuindo para ampliar as condições de acesso ao conhecimento.

    A publicação expressa um trabalho de pesquisa e criação didática desenvolvido em diálogo com a comunidade surda e com as necessidades reais do ensino. O livro sistematiza termos especializados e busca fortalecer a circulação de conteúdos filosóficos em Libras, respeitando a centralidade da língua de sinais na construção do conhecimento para estudantes surdos.

    A escolha do Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos como primeira publicação da Santé Acadêmica também reforça a proposta do novo selo: reunir rigor científico, responsabilidade editorial e relevância social. A Santé Acadêmica surge como uma linha dedicada a obras de pesquisa, ensino e formação, com atenção à curadoria científica, à qualidade editorial e ao respeito ao trabalho intelectual dos autores.

    Para a MOV8 Produções, a coedição da obra dialoga com uma atuação mais ampla voltada à cultura, à educação, e à produção de projetos com impacto social. Ao participar da publicação, a produtora reforça seu compromisso com iniciativas que aproximam conhecimento, inclusão e circulação pública de conteúdos formativos.

    Serviço

    Publicação: Sinalário de Termos Lógico-Filosóficos
    Autores: Rafael Rodrigues Testa, João Antonio de Moraes e Lucimar Bizio
    Projeto de origem: LogLibras – Elaboração de material didático de Lógica para surdos em uma perspectiva bilíngue e intercultural
    Apoio: CNPq
    Selo: Santé Acadêmica
    Coedição: MOV8 Produções
    Área: Filosofia, Lógica, Libras, educação bilíngue e acessibilidade

  • Palestras do TEDxJundiaí Women já estão no canal oficial TEDx Talks

    Palestras do TEDxJundiaí Women já estão no canal oficial TEDx Talks

    Edição leva ao público global reflexões sobre acesso como permanência, voz, autonomia e transformação

    Os vídeos das palestras do TEDxJundiaí Women – Acessos já estão publicados no canal oficial TEDx Talks, no YouTube. Com isso, as ideias compartilhadas no palco da edição passam a circular muito além da experiência ao vivo, ampliando o alcance das reflexões apresentadas no evento.

    Na abertura da noite, a curadora e anfitriã Tainan Franco explicou que falar de acesso não é falar apenas de entrada, mas das condições concretas que permitem permanecer, crescer, liderar e transformar. Em seu manifesto, definiu “acessos” como algo ao mesmo tempo direto e estrutural, ligado a oportunidade, renda, tempo, rede, informação, decisão e voz. Também chamou atenção para um ponto central da curadoria: trajetórias individuais não deveriam ser recebidas como exceções heroicas, mas como convite a uma reflexão coletiva sobre as condições que tornam certos caminhos possíveis.

    Foi a partir dessa perspectiva que as seis palestras da edição se organizaram. Em vez de tratar “acesso” como abstração, cada fala o aproximou de uma dimensão concreta da vida.

    O que sustenta o que ninguém vê

    A contribuição de Ana Oliva levou o público a pensar o acesso sob a ótica da liderança e da força mental. Ao relacionar esporte, vida e gestão, sua fala deslocou o foco para aquilo que nem sempre aparece: disciplina, resiliência e a capacidade de sustentar decisões em cenários difíceis.

    Ao falar do “invisível”, ela chama atenção para tudo o que não costuma caber em planilhas nem se tornar imediatamente visível aos outros, mas que, ainda assim, sustenta escolhas, trajetórias e resultados. Sua fala propõe uma visão de liderança menos centrada na aparência do comando e mais voltada ao trabalho interno de constância, maturidade e presença diante da incerteza.

    Quando reconhecer a si transforma uma vida

    Na fala de Kátia Teófilo, o acesso aparece como reconhecimento de si. Partindo de sua relação com o próprio cabelo, ela mostra como algo frequentemente tratado como simples questão estética pode carregar experiências profundas de apagamento, pertencimento, e transformação.

    Ao longo da palestra, o cabelo passa a condensar uma pergunta maior: o que muda quando alguém deixa de tentar caber no olhar dos outros e passa, enfim, a se reconhecer? Sua fala transforma uma trajetória pessoal em reflexão mais ampla sobre identidade, autoestima e liberdade para existir com mais inteireza.

    Presença e legado

    Revisitando a própria trajetória, Leandra Maia transforma barreiras e experiências de exclusão em uma reflexão sobre ocupação de espaços e a marca que cada pessoa deseja deixar no mundo.

    Sua fala não se organiza em torno da deficiência como encerramento de sentido, mas como parte de uma trajetória atravessada por dor, enfrentamento, força e construção de presença. Ao colocar em primeiro plano a pergunta sobre o legado, Leandra desloca o olhar do limite presumido para aquilo que se constrói a partir da experiência vivida.

    Trabalho, autonomia e caminho aberto para outras mulheres

    No caso de Miriam Müller, o acesso aparece em sua dimensão mais concreta: trabalho, formação e autonomia. Ao falar de sua entrada na construção civil e da criação de um projeto voltado à capacitação de mulheres, sua palestra mostra como aprender um ofício pode significar muito mais do que geração de renda.

    Em sua fala, acesso real envolve ferramentas, permanência, autoestima e a possibilidade de abrir portas para outras mulheres também.

    O que continua sendo humano

    A fala de Ethel Panitsa Beluzzi introduz uma reflexão filosófica na noite ao tomar a inteligência artificial como ponto de partida para investigar o que permanece propriamente humano. Ao discutir linguagem, viés, pensamento e os limites dos modelos de linguagem, ela propõe uma reflexão que ultrapassa o fascínio imediato pela tecnologia.

    Sua palestra levanta a necessidade de compreendermos os limites da IA e de não abrirmos mão daquilo que ela não substitui: experiência, senso crítico, construção de pensamento e a dimensão viva da linguagem. Ao fazer isso, Ethel desloca o debate da mera eficiência para uma pergunta mais profunda sobre o que nos constitui como humanos.

    Portas, chaves e desigualdade de acesso

    Encerrando a programação de falas, Mariana Janeiro organiza sua apresentação em torno da metáfora das portas e das chaves para discutir acesso, desigualdade e oportunidade. A partir de sua própria trajetória, ela mostra que aquilo que muitas vezes é lido como sorte também depende de condições concretas: origem, afeto, educação, identidade, autonomia, contexto, voz e poder.

    Sua fala dá ao tema do evento um desdobramento ético e coletivo. A pergunta deixa de ser apenas quem conseguiu entrar e passa a ser também quem recebeu as chaves, quem sequer sabe que certas portas existem e o que fazemos com aquilo a que tivemos acesso. Ao final, a reflexão se desloca do caso individual para a responsabilidade compartilhada de ampliar caminhos para outras pessoas.

    Uma conversa que continua

    No encerramento da noite, Tainan Franco retomou explicitamente essa dimensão coletiva. Ao destacar a importância de mulheres caminharem em rede, reconhecererem-se mutuamente e ampliarem espaços de permanência para outras, ela reposicionou o sentido de “Acessos”: mais do que conquistas individuais, trata-se de uma responsabilidade compartilhada.

    A realização do TEDxJundiaí Women – Acessos contou também com o apoio fundamental do Senac Jundiaí, instituição anfitriã desta edição. Ao acolher o evento e oferecer a estrutura necessária para sua realização e gravação, o Senac contribuiu diretamente para que essas ideias pudessem não apenas ganhar forma no palco, mas também seguir circulando agora no canal oficial TEDx Talks: como conjunto de ideias que ajudam a pensar, de maneira crítica e sensível, as estruturas — visíveis e invisíveis — que moldam quem pode acessar, permanecer, decidir e transformar.