Tag: economia criativa

  • O efeito Shakira: como a cultura movimenta a economia

    O efeito Shakira: como a cultura movimenta a economia

    O show da Shakira no Rio reacende uma discussão importante: cultura não é apenas entretenimento. Quando bem planejada, ela movimenta trabalho, turismo, serviços, renda e imagem pública.

    Quando milhões de pessoas se reúnem para assistir a um show, o que está em cena não é apenas a artista no palco. Há uma cidade inteira em movimento: hotéis, bares, restaurantes, motoristas, técnicos, produtores, vendedores, equipes de segurança, comunicação, audiovisual, limpeza urbana, turismo, comércio e serviços.

    Foi isso que o Rio de Janeiro viu no show gratuito da Shakira em Copacabana, realizado em 2 de maio de 2026, dentro do projeto Todo Mundo no Rio. Segundo dados divulgados pela Prefeitura do Rio e pela Riotur, o evento reuniu cerca de 2 milhões de pessoas e teve impacto econômico estimado em aproximadamente R$ 800 milhões para a cidade. O estudo oficial “Potenciais Impactos Econômicos do ‘Todo Mundo no Rio’ 2026 – Shakira” calcula uma movimentação de R$ 776,2 milhões, considerando os gastos do público com hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços.

    O número chama atenção porque desloca a discussão sobre cultura para outro patamar. Muitas vezes, eventos culturais são vistos apenas como despesa. Mas, quando observados com indicadores claros, eles revelam outra dimensão: cultura também é investimento público, atividade econômica, geração de trabalho e fortalecimento da imagem de uma cidade.

    No caso do show da Shakira, foi divulgado um investimento público de R$ 20 milhões por parte da Prefeitura do Rio. Ainda assim, a comparação entre investimento e retorno econômico projetado é expressiva: diante de uma estimativa de quase R$ 800 milhões movimentados, o evento ajuda a mostrar como a cultura pode ativar uma cadeia econômica muito maior do que o palco em si.

    Essa cadeia inclui desde grandes setores, como turismo e hotelaria, até pequenos empreendedores que sentem diretamente o aumento da circulação de pessoas: ambulantes, comerciantes locais, bares, restaurantes, prestadores de serviço, motoristas de aplicativo, equipes técnicas, profissionais de montagem, produtores, comunicadores e trabalhadores temporários.

    Isso não significa que todo gasto cultural seja automaticamente positivo, nem que qualquer evento se justifique por si só. Investimento público exige planejamento, responsabilidade, avaliação de impacto e transparência. Mas a discussão precisa partir de uma compreensão correta: cultura não é apenas custo. Cultura também é infraestrutura econômica, simbólica e social.

    Esse raciocínio vale para os megashows, mas também para festivais, feiras, mostras audiovisuais, eventos regionais, programas de formação, circulação de artistas, editais culturais e políticas públicas de fomento. Em cada caso, há uma rede de profissionais, serviços e saberes envolvidos.

    É justamente esse campo que chamamos de economia criativa: o conjunto de atividades em que criação, conhecimento, identidade, tecnologia, comunicação e produção cultural se transformam em valor econômico e social.

    No Brasil, os números confirmam essa relevância. Dados do IBGE apresentados pelo Ministério da Cultura apontam que a cultura emprega cerca de 5,9 milhões de pessoas e gera R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia, o equivalente a algo próximo de 3% do PIB. Outro levantamento, o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Firjan, estima que a indústria criativa brasileira representa 3,59% do PIB nacional, totalizando R$ 393,3 bilhões em 2023.

    No mundo, a tendência é semelhante. A UNESCO estima que os setores culturais e criativos respondem por 3,1% do PIB global e por 6,2% de todos os empregos. Ou seja: cultura e criatividade não são temas periféricos na economia contemporânea. Elas estão no centro de novas formas de desenvolvimento, inovação, trabalho e circulação de valor.

    Esses dados ajudam a corrigir uma percepção ainda comum: a de que cultura pertence apenas ao campo do lazer, da decoração ou do “extra”. Na prática, a cultura organiza territórios, atrai visitantes, cria empregos, movimenta serviços, fortalece identidades locais e amplia a projeção de cidades e regiões.

    Para uma produtora cultural, pensar economia criativa é pensar o ciclo completo: da ideia ao projeto, da captação à execução, da formação de público à prestação de contas, da experiência do evento ao legado que ele deixa. É entender que um espetáculo, uma feira, um festival, um documentário, uma ação formativa ou uma política pública de cultura podem produzir impacto muito além do momento em que acontecem.

    Na MOV8, acreditamos que a cultura é uma força concreta de transformação. E, quando tratada com profissionalismo, responsabilidade e visão estratégica, ela mostra aquilo que os números já começam a deixar evidente: investir em cultura é investir em pessoas, territórios e possibilidades.

  • WCD Jundiaí 2026 mostra a força de uma cidade que cria em rede

    WCD Jundiaí 2026 mostra a força de uma cidade que cria em rede

    Entre os dias 21, 22 e 23 de abril, Jundiaí recebeu a segunda edição local do World Creativity Day. O festival, que integra uma mobilização global em torno da criatividade, reuniu na cidade uma programação gratuita com painéis, oficinas, experiências e encontros voltados à inovação, educação, tecnologia, bem-estar, sustentabilidade, cultura e economia criativa.

    Com quase 30 inspiradores, a proposta foi oferecer um espaço para quem busca trocar conhecimentos, ampliar repertórios e se conectar com novas possibilidades criativas. A edição de 2026 também reforçou o lugar de Jundiaí dentro de um movimento maior: o maior festival colaborativo de criatividade do mundo, com atividades realizadas em diferentes cidades entre 19 e 23 de abril de 2026.

    Criatividade para além da arte

    Um dos pontos centrais do WCD Jundiaí 2026 foi ampliar a compreensão do que significa ser criativo. A criatividade pode ser entendida como a capacidade de imaginar soluções, conectar saberes, transformar práticas e criar novas formas de agir no mundo — ideia destacada por Fabi Pincinato, líder do evento em Jundiaí, e Rosana Rodrigues, co-líder, em entrevista ao programa Francamente, apresentado por Tainan Franco, também co-líder do WCD em Jundiaí.

    Na conversa, elas desafiam a ideia, ainda comum, de que a criatividade pertence apenas a artistas, designers ou profissionais da comunicação. No WCD, ela aparece como ferramenta cotidiana, presente na gestão, na saúde, no ensino, no empreendedorismo, na sustentabilidade e nas relações comunitárias.

    Um formato pensado para troca

    A programação deste ano apostou em painéis curtos, de cerca de 45 minutos, substituindo o modelo tradicional de palestras longas por uma dinâmica mais aberta à interação. A escolha revela o entendimento de que não basta apenas transmitir conteúdo; é preciso criar espaço para encontro, escuta, circulação de ideias e participação.

    Na entrevista ao Francamente, as organizadoras também destacaram que a curadoria foi construída de forma colaborativa. Pessoas de áreas diferentes foram aproximadas para gerar trocas menos óbvias e mais férteis — conectando, por exemplo, saúde, recursos humanos, educação, cultura, tecnologia e práticas criativas.

    Três dias, três espaços, muitas conexões

    A programação ocupou diferentes espaços da cidade, reforçando a ideia de que a criatividade pode circular por ambientes diversos.

    Painel na Mata Ciliar.

    No dia 21, a abertura oficial aconteceu na Mata Ciliar, com foco em inovação e meio ambiente, pensando a criatividade também como resposta aos desafios ambientais e à necessidade de novas relações com o território.

    Bateria Feminina da Escola de Samba União da Vila na Faculdade Anhanguera.

    No dia 22, as atividades seguiram na Faculdade Anhanguera, com oficinas e painéis sobre tecnologia, bem-estar e criatividade. A programação foi encerrada com uma roda de conversa sobre mulheres no samba, aproximando cultura popular e protagonismo feminino.

    Oficina de colagem no Senac Jundiaí.

    No dia 23, o festival chegou ao Senac Jundiaí, com atividades como oficina de colagem, painéis de discussão e uma vivência de Maracatu, encerrando a edição com uma experiência marcada pelo corpo, pelo ritmo e pela presença coletiva.

    Ao transitar por instituições de ensino, espaços de formação e ambientes ligados à cultura e à sustentabilidade, o WCD Jundiaí 2026 mostrou que a criatividade não cabe em um único palco. Ela se distribui pela cidade, ganha forma em diferentes linguagens e se fortalece quando encontra condições para circular.

    Em uma época em que muito se fala sobre economia criativa, o WCD Jundiaí ajuda a lembrar que desenvolvimento criativo não se faz apenas com grandes estruturas ou investimentos concentrados. Ele também depende de redes locais, de pessoas dispostas a compartilhar conhecimento, de instituições abertas ao diálogo e de iniciativas que ampliem o acesso da população à formação, à inspiração e à experimentação.

    Cobertura da Tribuna de Jundiaí.

    A força das parcerias locais

    A realização do evento também evidencia a força das parcerias locais. O WCD Jundiaí 2026 contou com a Adecil como mantenedora/patrocinadora principal, além do patrocínio da Agência io! e da VRS Academy. A Tribuna de Jundiaí atuou como parceira de mídia, e a rede de apoiadores contou com Tsuru Criativa, Tsuru Arte e MOV8 Produções, além das voluntárias que se somaram à mobilização criativa.

    Organizadoras e voluntárias WCD 2026.

    Mais do que uma programação pontual, o WCD Jundiaí se afirma como um movimento de conexão entre pessoas, instituições e iniciativas que acreditam na criatividade como força de transformação. Uma cidade que cria em rede cria também novas formas de imaginar seu próprio futuro.

    Para saber mais: WCD Jundiaí no Francamente

    Quem quiser conhecer melhor os bastidores, os propósitos e a visão por trás do World Creativity Day em Jundiaí pode assistir à entrevista no programa Francamente.