Categoria: SESC Jundiaí

  • Sesc Jundiaí divulga programação de julho com atividades para as férias

    Sesc Jundiaí divulga programação de julho com atividades para as férias

    Agenda do mês reúne brincadeiras, experiências sensoriais, oficinas, música, teatro, cinema, literatura e atividades formativas para diferentes públicos.

    Com a chegada das férias de julho, o Sesc Jundiaí preparou uma programação voltada a crianças, famílias e públicos de diferentes idades. A agenda do mês reúne atividades lúdicas, experiências sensoriais, oficinas, música, teatro, cinema, literatura, tecnologias e outras propostas artísticas e formativas.

    Entre os destaques está o especial Lusco-fusco, que propõe brincadeiras, experiências sensoriais e atividades no escuro. A ideia é estimular a imaginação de crianças e adultos a partir de vivências que exploram luz, sombra, percepção e descoberta.

    A programação também traz o FestA! – Festival de Aprender, iniciativa do Sesc São Paulo dedicada ao compartilhamento de saberes e práticas criativas. Em Jundiaí, o festival reúne atividades ligadas a técnicas têxteis, cestaria, jogos, adereços e outras experiências para quem gosta de criar com as próprias mãos.

    Na música, a agenda traz o show do Fat Family, com clássicos e novas versões em arranjos marcados pelo groove, em homenagem à história do charme e da música soul nacional. Outro destaque é a cantora moçambicana Lenna Bahule, que aproxima sonoridades africanas da música brasileira em uma apresentação marcada pela força da voz e pelas tradições de seu país.

    Eduardo Moscovis – O Motociclista no Globo da Morte

    O teatro também integra a programação de julho. O espetáculo O Motociclista no Globo da Morte, estrelado por Eduardo Moscovis, acompanha um homem comum envolvido em uma espiral de violência. Já Medea Depois do Sol propõe uma releitura contemporânea de um dos grandes clássicos da dramaturgia.

    No cinema, o Sesc Jundiaí exibe o premiado filme brasileiro O Agente Secreto. O mês ainda conta com cursos e oficinas de tecnologias e artes, atividades literárias e outras ações voltadas à criação, ao encontro e à formação de público.

    O Agente Secreto

    Parceiro recorrente do Programa Francamente, o Sesc Jundiaí é um dos espaços que mais movimentam a circulação artística na cidade, recebendo artistas de diferentes trajetórias, linguagens e gerações. Muitas dessas passagens também renderam conversas no Francamente, que acompanha de perto parte da programação cultural que chega à cidade.

    A programação completa de julho pode ser consultada no site oficial do Sesc Jundiaí.

  • Itamar Assumpção segue vivo no palco de Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci

    Itamar Assumpção segue vivo no palco de Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci

    Trio passou pelo Francamente antes de show no Sesc Jundiaí e falou sobre repertório, experimentação e a força do encontro ao vivo.

    Poucos artistas atravessam o tempo como Itamar Assumpção. Sua obra, ligada à Vanguarda Paulista, ao Isca de Polícia e a uma forma muito própria de pensar palavra, ritmo e invenção, segue encontrando novos públicos — inclusive entre gerações que chegaram a ele muito depois de seus primeiros discos.

    Foi esse repertório que levou Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci ao Sesc Jundiaí. Antes do show, o trio passou pelo Francamente, em conversa com Tainan Franco, para falar sobre a homenagem a Itamar, a construção do espetáculo e os caminhos atuais de suas próprias trajetórias.

    O projeto nasceu há mais de dez anos, a partir de encontros na Casa de Francisca, em São Paulo. Aos poucos, o trio foi se reunindo em torno das canções de Itamar e brincando com a ideia de “pregar a palavra” do artista. A piada revela algo sério: há, nesse trabalho, uma relação de devoção, estudo e escuta profunda.

    Mais do que executar canções conhecidas, Juçara, Suzana e Kiko buscam habitar a linguagem de Itamar. O violão de Kiko muitas vezes assume a função das linhas de baixo; as vozes exploram pausas, silêncios, respirações e deslocamentos; a palavra aparece como matéria rítmica. Como lembram na conversa, errar uma sílaba pode ser suficiente para “perder o bonde” da música.

    Esse desafio também explica por que o show segue em transformação. Mesmo depois de uma década, os arranjos mudam, o repertório se altera, uma canção ganha outro contorno e um verso, ouvido tantas vezes, pode atravessar os artistas de uma nova maneira. A obra de Itamar permite isso porque é aberta, viva e ainda aponta para o futuro.

    A entrevista também passou pelo momento atual dos três artistas, cada um deles atravessado por muitos projetos, parcerias e frentes de criação. Juçara falou de seu novo disco em parceria com a pianista Thais Nicodemo, um trabalho de voz e piano preparado — instrumento expandido por objetos, texturas e interferências sonoras — que reúne composições de artistas próximos e desloca o formato voz e piano para um lugar mais experimental.

    Suzana, por sua vez, comentou a continuidade de seus trabalhos ligados à canção, à Vanguarda Paulista e ao repertório caipira. Entre os projetos citados estão Sabor de Veneno, com Arrigo Barnabé, a parceria com Ivan Vilela e Lenine Santos, além do trabalho em voz e violão com Paulo Padilha, em que revisita compositores como Itamar, Arrigo e outros nomes fundamentais da música brasileira.

    Kiko adiantou o lançamento de Medusa, disco previsto para agosto, descrito por ele como um trabalho de amor — mas um amor barulhento. O álbum também nasce em diálogo com outras linguagens: a capa foi criada pela artista Tatiana Blass, a partir de obras inspiradas nas músicas do disco, reforçando uma característica recorrente em sua trajetória, na qual música, imagem, cinema e artes visuais se atravessam.

    Em meio à conversa, também apareceu uma reflexão sobre o presente da música independente. Plataformas, remuneração baixa e inteligência artificial mudam o mercado, mas não substituem o essencial: o encontro entre artista e público. Como o trio reforça, o show segue sendo o lugar onde a música acontece de verdade.

    E talvez seja justamente por isso que Itamar continue tão atual. Sua obra pede palco, corpo, voz, risco e presença. Nas mãos de Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci, ela não vira peça de museu: vira experiência viva, inquieta e pronta para encontrar novos ouvidos.

    Assista aqui:

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  • OBMJ: música jamaicana à brasileira, feita para dançar

    OBMJ: música jamaicana à brasileira, feita para dançar

    Em conversa no Francamente, Sérgio Soffiatti e Felipe Pipeta falam sobre a trajetória da Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, o Cine OBMJ e os caminhos de uma banda que mistura baile, cinema e ska.

    A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana já carrega uma ideia inteira no próprio nome. É orquestra, mas não no sentido “solene” da palavra. É brasileira, mas atravessada por ritmos jamaicanos. É grande no nome, na formação, no som e no projeto de transformar repertórios conhecidos em música para dançar.

    No Francamente, em conversa com Tainan Franco, Sérgio Soffiatti e Felipe Pipeta falaram sobre a origem da OBMJ, a relação com o ska, o reggae e a música jamaicana, os desafios de manter uma banda numerosa em atividade e o show Cine OBMJ, apresentado no Sesc Jundiaí.

    A conversa começa com bom humor — como costuma acontecer quando o Francamente recebe artistas que já chegam em clima de bastidor —, mas logo revela algo importante sobre a banda: por trás da leveza, existe pesquisa, direção artística e um compromisso sério com a música popular.

    Uma orquestra de baile

    A OBMJ nasceu do encontro entre músicos que já circulavam pela cena ska e pela música jamaicana em São Paulo. Sérgio vinha da banda Skuba; Pipeta, do Sapo Banjo. A amizade, a convivência e a afinidade musical foram aproximando os dois até que, em 2005, surgiu a ideia de criar uma big band dedicada à música jamaicana.

    A referência vinha de grupos como os Skatalites, uma espécie de matriz para quem pensa a música jamaicana com sopros, peso, balanço e formação numerosa. Mas a OBMJ não queria apenas copiar uma sonoridade de fora. A pergunta que moveu o projeto foi outra: se bandas do mundo inteiro faziam versões de músicas brasileiras em ritmos jamaicanos, por que músicos brasileiros não poderiam fazer isso a partir daqui?

    Foi dessa ideia que nasceu a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana: uma banda que olha para a tradição jamaicana, mas responde com sotaque próprio, humor, pesquisa e repertório brasileiro.

    E o termo orquestra entra justamente aí: como referência às antigas orquestras populares, às bandas de baile, aos grupos que faziam o público dançar em clubes e salões.

    O compromisso com a dança

    Ao longo da entrevista, Sérgio e Pipeta deixam claro que a banda tem um compromisso central: fazer o público dançar. Essa busca orienta os arranjos, a escolha do repertório e o modo como a OBMJ se relaciona com a música jamaicana.

    Os sopros assumem função quase vocal, conduzindo temas e melodias. A base precisa ser firme, repetitiva, simples na medida certa, capaz de sustentar o transe do ritmo. Há uma atenção ao minimalismo, à batida, ao espaço entre os instrumentos e àquilo que “bate sem doer” — música que entra no corpo, fica ali e move as pessoas.

    Essa escolha também ajuda a explicar a longevidade da banda. Manter nove músicos na estrada, com projetos paralelos, agendas diferentes e uma logística complexa, não é simples. Mas a OBMJ parece se sustentar justamente por combinar direção artística, amizade, humor e uma visão clara de projeto.

    Do ska ao cinema

    O show Cine OBMJ, tema da apresentação no Sesc Jundiaí, abre outra camada da banda: a relação com trilhas sonoras e memória afetiva. A proposta leva temas do cinema para o universo jamaicano, criando versões em ska, reggae e outros ritmos associados à sonoridade do grupo.

    A ideia funciona porque trilha de filme também é memória coletiva. Há temas que atravessam gerações, mesmo quando as pessoas não sabem nomear seus compositores. Ao trazer essas músicas para o corpo dançante da OBMJ, a banda aproxima cinema, baile e cultura pop de um jeito inesperado.

    Na entrevista, essa conversa se desdobra em uma reflexão sobre o tempo de escuta. Em uma época marcada por vídeos curtos, lançamentos acelerados e músicas transformadas em pequenos recortes para redes sociais, projetos como o Cine OBMJ lembram que algumas experiências precisam de mais duração. Um tema musical, um arranjo, um show e uma memória afetiva não se esgotam em 15 segundos.

    Uma banda grande em tempos pequenos

    A OBMJ também fala, inevitavelmente, sobre mercado. Manter uma banda autoral, numerosa e de nicho em atividade exige muito mais do que talento. Exige estrada, produção, gestão, negociação, lançamento, divulgação e uma dose constante de sobrevivência.

    A conversa passa por streaming, remuneração injusta, dificuldade de circulação, festivais conservadores e a sensação de que muitos artistas independentes vivem tentando acompanhar uma máquina que exige novidade o tempo todo.

    Ainda assim, a banda segue criando. Além do Cine OBMJ, há projetos como OBMJ Jazz, o show baile, novos lançamentos e ideias futuras, incluindo um projeto infantil e o bem-humorado Reggae Conniff, inspirado em Ray Conniff.

    Essa disposição para inventar novos formatos mostra uma banda que amadureceu sem perder o espírito de brincadeira. A OBMJ sabe rir de si mesma, mas também sabe o que está fazendo.

    Música para alimentar almas

    Talvez a melhor definição da OBMJ apareça quando os convidados falam do palco. No show, dizem eles, os boletos e problemas ficam do lado de fora. O que importa é a alegria de tocar junto, colocar o público para dançar e alimentar as almas de quem está ali.

    Essa frase resume algo essencial: a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana não trata a música apenas como repertório, estilo ou pesquisa. Trata como encontro. Um encontro entre Brasil e Jamaica, entre baile e cinema, entre sopros e memória, entre músicos que escolheram continuar fazendo exatamente aquilo em que acreditam.

    E, quando uma banda consegue transformar tudo isso em dança, o nome grande deixa de parecer exagero.

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